Ontem lembrei de Nelson Rodrigues. Recorro a outra frase do dramaturgo: “Foi aí que descobri esta verdade nacional: o brasileiro é um feriado, temos alma de feriado.”
Vem aí o feriado maquiado. Um pouco de batom, blush, grandes óculos escuros, uma peruca e está aí o nosso novíssimo feriado. Vivemos num Brasil disfarçado. Quem descobriu o novo feriado foi Romário ao analisar a possibilidade de que os dias de jogos da Copa virem em feriado: “Pode ser um motivo para as obras não estejam terminadas. Os feriados vão maquiar os problemas.”
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, pensa o contrário, que eventuais problemas de mobilidade sejam resolvidos com feriados: “O funcionamento da Copa do Mundo, se eu der feriado no dia do jogo, a cidade vai estar em condições de não ter trânsito para a locomoção dos torcedores”.
Cometendo uma verdade exagerada, dia que se o brasileiro não sair de casa durante a Copa, poderemos não ter problemas. Não me surpreenderei se o governo convidar o brasileiro a se retirar do país, subvencionando excursões ao exterior. O tragicômico é que de janeiro a setembro de 2011 o custo total da Copa saltou de R$ 23,83 para R$ 30,66 bilhões. Pagamos a conta e nos pedem para ficar em casa. Foi aí que eu também descobri esta verdade nacional: o brasileiro é um feriado, temos alma de feriado.
