Olhando a tabela do Brasileiro lembrei de uma crônica de Nelson Rodrigues: “O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente.”
E do que escrevi certa vez: “Todos sabem que sou favorável ao sistema mata-mata e sei que estou na contramão da maioria. Como bairrista convicto, quer ver outra vez um time gaúcho campeão. Quero uma fórmula que imite o Brasil: quanto mais injusta e formulista, melhor! Todos sabem que querer não é poder e que vou ficar querendo.”
A chance de vermos Grêmio ou Inter festejando um título Brasileiro novamente é igual a de acertar da Mega Sena. Ou seja: nenhuma. Olhar a tabela do Brasileiro me enche de nostalgia.
O Brasileiro deste ano acabou não acabando. Restam para Inter e Grêmio sonolentas 13 rodadas. O Inter briga heroicamente pelo G-6 e o Grêmio nada contra a correnteza que leva ao rodapé.
No tempo dos matas o Brasileiro terminava não terminando. O final não era o final, mas o começo de uma dramaticidade arrebatadora. Jogavam 1º x 8º; 2º x 7; 3º x 6º em 4º x 5º em matas.
Hoje teríamos o seguinte quadro: Botafogo x Internacional; Fortaleza x Bahia; Palmeiras x São Paulo e Flamengo x Cruzeiro. Enfiado na rabeira na tabela até o Grêmio podia sonhar com os matas. Assim como o Juventude.
Há previsões que você faz e torce para errar. Em 2003, quando da extinção do mata-mata e da aprovação da fórmula de pontos corridos, sentenciei que não veríamos Inter e Grêmio festejar um título do Brasileiro pelos próximos 100 anos. Infelizmente, minha profecia segue valendo.
Passaremos parte de setembro, todo outubro, todo novembro e parte de dezembro assistindo a briga pela ponta do campeonato. Não aceito a posição de coadjuvante. Volta mata-mata!
