Estamos vivendo o primeiro Campeonato Brasileiro sem público nos estádios. O país consagrou a afirmação de que o torcedor é o 12º jogador. É cedo para apontar que reflexos isto terá no rendimento das equipes. Mas talvez seja possível se ter uma ideia com os números das duas primeiras rodadas, uma incompleta.
Três confrontos (Corinthians x Atlético-GO, Palmeiras x Vasco e Botafogo x Bahia) foram adiados devido as finais de estaduais e um (Goiás x São Paulo) pela contaminação de nove jogadores do Goiás pela Covid-19.
A primeira rodada do Brasileiro de 2019 teve oito mandantes vencedores contra apenas dois visitantes. Ou seja, 80% dos mandantes venceram. Um número muito acima da média.
Segundo o site Infobola, atualizado pelo matemático gaúcho Tristão Garcia, a média da temporada passada teve 48% de vitória dos mandantes, 26% para o empate e 26% para os visitantes.
A primeira rodada do Brasileiro de 2020 teve duas vitórias dos mandantes, um empate e três dos visitantes. Foram apenas seis jogos.
O principal detalhe aqui foi a derrota do Flamengo em casa para o Galo por 1 a 0. No ano passado o Flamengo levou a taça sem perder como mandante. É permitido que se diga que a torcida fez muita falta. Na sua estreia no Brasileiro de 2019 o Flamengo fez 3 a 1 no Cruzeiro, de virada, diante de 35 mil torcedores no Maracanã.
A segunda rodada de 2019 foi mais equilibrada. Terminou com vitória de seis mandantes, dois empates e com dois visitantes faturando três pontos. A segunda rodada do campeonato atual, que terminou na quinta-feira, apresentou sete vitórias dos mandantes contra três empates. Nenhum visitante se deu bem.
No somatório de 2020 temos nove vitórias dos mandantes, quatro empates e três dos visitantes. Um percentual acima dos 50% dos mandantes.
Se o fator torcida não foi sentido na arrancada, com a ressalva para a estreia do Flamengo, o mesmo não se pode afirmar das finanças. O estrago está sendo e será gigantesco.
Em 2019 o Inter teve média de 19.824 pagantes, com ocupação de 39% do Beira-Rio e faturou R$ 15 milhões com bilheteria.
A partida diante do Flamengo, então comandado por Abel, vitória por 2 a 1, arrastou 36.010 pagantes e rendeu R$ 1,7 milhão. O Inter da época: Marcelo Lomba; Zeca, Rodrigo Moledo, Cuesta e Iago; Rodrigo Dourado, Edenílson, Patrick (Parede), D'Alessandro (Sarrafiore) e Nico López (Nonato); Paolo Guerrero. Técnico: Odair Hellmann.
Já o Grêmio teve média de 16.647 pagantes, com 31% de ocupação da Arena, que garantiram R$ 11.5 milhões para a Arena Porto-Alegrense, dona da bilheteria.
Sem bilheteria e outros serviços os clubes mandantes estão acumulando prejuízos.
Pagando para jogar em casa
O boletim financeiro do jogo Flamengo 0 x 1 Galo mostra apenas um prejuízo de R$ 183 mil. O de Grêmio 1 x 0 Fluminense de R$ 67 mil. Os mandantes acumularam mais de R$ 350 mil de prejuízo só na primeira rodada. Isto em apenas quatro partidas.
Nenhum clube sofrerá tanto como o Flamengo neste quesito. Dono da maior torcida do Brasil o clube faturou R$ 53,4 milhões em bilheteria no Brasileiro do ano passado. Quando escrevo ainda não consta no site da CBF o borderô de Inter 2 x 0 Santos, o tamanho do rombo numa partida que certamente renderia mais de R$ 1,5 milhão de renda.
O Brasileiro até aqui
Influência da ausência de público e o prejuízo dos clubes
