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Estamos assistindo o fim de uma era. Antes, o torcedor brasileiro não questionava o craque, admirava. O atrevido que não bajulasse o craque era vaiado e xingado em todos os idiomas. O craque, como eu conheci, está sendo riscado do mapa. Vejam D’Alessandro. É craque. Trata-se de um 10 dos antigos, jurássico. Um mestre do passe milimétrico, um bailarino driblando para cá e para lá, um encantador de multidões. D’Alessandro transformou o meio-campo do Inter em alfandega: a bola não chega ao ataque sem o seu carimbo. Elegante, inteligente, D’Alessandro é um personagem dos tempos de glamour do nosso futebol. Antes passarelas de craques refinados, os gramados estão sendo transformados com rapidez espantosa em pistas para velocistas como Usain Bolt. O futebol moderno impõe três requitidos básicos ao jogador: velocidade, velocidade e velocidade. Cometendo uma verdade exagerada, diria que não se exige mais do jogador habilidade, intimidade com a companheira bola, mas certificado de estupendo corredor. Estamos matando o craque o consagrando pernas-de-pau.