Hiltor Mombach

O brasileiro não gosta de futebol

O brasileiro não gosta de futebol.
Nenhum brasileiro, vivo ou morto, está disposto a admitir uma verdade que surge tão escancarada.
Num passado remoto fomos o país do futebol.
Não somos mais.
Aqui vai outra verdade inquestionável e cruel: não evoluímos taticamente porque não gostamos de futebol.
A tática brasileira é do tempo dos dinossauros.

Vamos a um fato.
Dias atrás o Barcelona humilhou o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu.
Aplicou retumbantes 4 a 0 e um dos carrascos, Andrés Iniesta, saiu aplaudido pelo torcedor rival.
Trata-se de uma cena antibrasileira.
O brasileiro cospe, lota de impropérios o rival que se digne a dar show.

O brasileiro ama vencer.
Não importa como.
Ama vencer e ser campeão.
Aplaudiria de pé o seu time campeão mesmo atuando com 11 volantes.
Sim, um volante no gol.
Explodiria de felicidade nas arquibancadas assistindo a volta olímpica depois de 90min de antifutebol.
Isto justifica a sobrevivência de um Brasileiro onde viceja a mediocridade.
Robotizaram o esquema tático.
Leva o caneco e menos ruim. Aplaudir um lance genial de um jogador rival soa obsceno, pornográfico. Não gostamos de futebol como arte. Gostamos de vencer. Os fins justificam os meios.
Outra verdade: não gostamos de outros esportes.
Gostamos de ganhar títulos no futebol e ponto final.
Volta e meia somos atraídos por outra modalidade.
Um flerte fugaz.
Um namorico olímpico.
Quando?
Quando nesta outra modalidade o campeão é brasileiro.
Somos atraídos pelo ídolo.
Sem um grande piloto, o GP Brasil de F1 teve a pior audiência na história.
Não se fala mais em F1 no país.
A Globo fala, mas ninguém escuta.
Eder Jofre nos ligou ao boxe.
A luta livre é um capítulo à parte.
Há um desejo mórbido de ver sangue jorrando, o açougue aberto.
A desgraça alheia nos liga.
O vôlei também nos liga.
A ginástica nos ligou com Daiane dos Santos, mas já nos desligou.
O brasileiro dá gargalhadas do lema olímpico “o importante é competir”, criado por Barão de Coubertin.
Para nós o importante é a taça, o primeiro lugar no pódio.
No Brasil, ninguém lembra do segundo.