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O que o Grêmio fez para merecer este calvário? Saiu de uma década de ouro, a de 90, para anos de chumbo. Lá se vão 13 longas temporadas sem conquistar um título nacional. Andou frequentando inclusive as páginas policiais. Há um fato desencadeador para tantos episódios funestos? Coincidência ou não, foi em 2000 que o Grêmio aprovou a parceria a empresa suíça International Sports Leisure (ISL). A empresa quebrou e o clube ficou com a dívida, que terminou de pagar não vai muito tempo. Várias pessoas, entre elas dirigentes, foram indiciadas, suspeitas de estelionato e formação de quadrilha. Em 2001 veio a última conquista importante, a Copa do Brasil. Em 2004, o Grêmio foi apresentado pela segunda vez à Segundona, sendo rebaixado como último colocado de um Brasileiro com 24 equipes. Seis anos depois da falência da ISL, e ainda pagando as contas via condomínio de credores, e quatro anos depois de ter sido rebaixado (subiu em 2005) o Grêmio aprovou um contrato para construção da Arena. De dezembro de 2008, quando da aprovação da parceria com a OAS, até os dias atuais, clube e construtora se envolveram em várias disputas. Só agora, no final de 2014, há uma luz no final do túnel. Graças ao presidente Fábio Koff o Grêmio está viabilizando a compra do estádio. Quando assumiu, Koff declarou que a Arena não era do Grêmio. Até hoje se questionam alguns aditivos no contrato. Como num milagre, Koff estabilizou a situação financeira do clube (as rendas dos jogos, por exemplo, são da Arena Porto-Alegrense) mas luta com imensas dificuldades para apagar outros incêndios. Sua gestão, como a de Duda Kroeff, trava uma batalha com uma parte da torcida que hoje não está apenas nas arquibancadas do estádio, mas tem integrantes dentro do próprio Conselho Deliberativo. Algumas gestões alimentaram esta torcida, inclusive com grana. Hoje, os gremistas do bem, que são a imensa maioria, têm que conviver com a vergonha de ver “torcedores” promovendo atos racistas ou, como no último Gre-Nal, violar o luto, rir da morte do ídolo colorado Fernandão, gritando em uníssono “Fernandão morreu” como quem comemora. Depois de Paulão, vítima de racismo oriundo de um dos setores mais caros da Arena, agora o goleiro Aranha é agredido. Fernandão, Paulão, Aranha... Os episódios funestos se somam e ganham farto espaço no noticiário nacional. O que o Grêmio fez para merecer este calvário? Aguarda-se agora o tamanho da punição. Quando deveria tratar do futebol, Koff é requisitado ora para resolver pendengas com a OAS, ora, como ontem, para, de forma visivelmente constrangida, pedir desculpas a Aranha e garantir punição aos racistas. Espero que se cumpra o mais breve possível o ditado que diz “não há mal que perdure nem bem que sempre dure”. Os torcedores gremistas do bem não merecem tão dolorosa via-crúcis.