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Nunca antes na centenária história do Inter um mesmo presidente insistiu tanto no mesmo equívoco. Há quem se fascine com o erro com a convicção de que errar é humano é que é errando que se aprende. Numa verdade que se eternizará nos corações dos colorados diria que a gestão Luigi está cravada de equívocos iguais ou semelhantes e que são estes equívocos que descompassaram o time, tornando-o uma caricatura. Sem falsa modéstia, a coluna de hoje fará o senhor e a senhora entenderem o que levou o Inter à beira do abismo. Uma breve recapitulação dos últimos 964 dias fará com que conheçam o caminho do descaminho. Abril de 2011. O vice de futebol Roberto Siegmann, um estreante no cargo, transforma um comentarista de futebol, Falcão, no novo técnico, substituindo Roth e tendo como auxiliar Julinho Camargo, ex-Grêmio. Falcão não treinava um time havia 17 anos. Em 18 de julho, uma segunda-feira, Luigi anuncia a saída de Siegmann e a rescisão do contrato de Falcão. E declara: “No máximo até quarta-feira devemos anunciar o novo vice-presidente e o novo técnico.” Entregou o futebol para outro estreante na função, Anápio Gomes. Como técnico, não anunciou ninguém. Improvisou um do time sub-23, Osmar Loss, que permaneceu na função quase um mês. Chegamos a agosto de 2011. O Inter anuncia Dorival Júnior como novo técnico. Anápio Gomes contrata um treinador-treinador, se é que me entendem. Com Dorival, o time conquista a Recopa. Dorival é demitido em 20 de julho de 2012. Quem o Inter anuncia como novo treinador? Fernandão. O anúncio é feito pelo vice-presidente de futebol Luciano Davi, outro noviço na função. Luigi alça Fernandão, então o seu diretor executivo, a técnico estreante para atuar ao lado de um vice também estreante. Em 20 de novembro de 2012 o Inter demite Fernandão e improvisa Omar Loss no cargo. Depois de apostar em Falcão e Fernandão, em 12 de dezembro de 2012 o Inter deposita todas as suas fichas num treinador que jamais havia passado por clube: Dunga. Para assessorá-lo, indica dois diretores, um estreante no futebol, Marcelo Feijó de Medeiros, e outro para compor politicamente, Luís César Souto de Moura. A indicação de Souto de Moura se dá quatro dias depois de Luigi ser reeleito presidente ainda no primeiro turno, já que foi o único candidato a ultrapassar a cláusula de barreira (25% dos votos). Luiz Antonio Lopes teve 80 votos (23,12%) e Sandro Farias, 64 (18,35%). Fosse para o voto do sócio e Lopes provavelmente ganharia. Chegamos a 4 de outubro de 2013, uma sexta-feira. O Inter demite Dunga e anuncia Clemer como interino enquanto procura um treinador no mercado. Marcelo Medeiros afirma que o ex-goleiro, até então técnico do time sub-20 e que jamais trabalhara com os profissionais, comandará o time dois dias depois contra o Fluminense, no Centenário. Até hoje o torcedor aguarda pelo novo comandante. Junte um treinador aposentado há 17 anos, um estreante, um que nunca trabalhou em clube e um interino também estreante nos profissionais e, como cereja do bolo, coloque na ponta da hierarquia dirigentes noviços na função: o resultado não pode ser outro senão este que se vê em campo nos tempos atuais. Como diria Perondi, esta é a verdade, esta é que é a realidade.