Hiltor Mombach

O coitadismo assola o futebol gaúcho

Há profecias que torço para dar errado. Há 21 anos torço para ver Grêmio ou Inter levantarem a taça do Brasileiro.

No longínquo 2003 cometi uma seguinte sentença definitiva logo após ser decretado o fim do mata-mata, com a aprovação da fórmula de pontos corridos do Campeonato Brasileiro.
Escrevi que não veríamos Internacional e Grêmio festejarem um título pelos próximos 100 anos.
Mais tarde, transformado num Nostradamus de bombacha e alpargata, cometi um segundo vaticínio: num futuro não muito distante veríamos colorados e gremistas invadirem a Avenida Goethe para comemorarem vaga na Libertadores.
Há profecias que torço para dar errado. Há 21 anos torço para ver Grêmio ou Inter levantarem a taça do Brasileiro.
O coitadismo assola o futebol gaúcho.
O Brasileiro ainda engatinha, vai para a 10ª das 38 rodadas, e já estou tomado pelo desânimo, desalento amplificado quando acesso o site Chance de Gol.
Estatísticas são como biquínis.
O que revelam é sugestivo, mas o que escondem é vital. Porém, no caso específico, as estatísticas são um reflexo escancarado do momento e o que revelam é vital.
Vamos ao Inter. Está em 10º com 11 pontos em 21 disputados. Chances de título: 3.3%; vaga na Libertadores (terminar nas seis primeiras colocações), 54,6; Sul-Americana, 41%; rebaixamento, 0,2%.
O Grêmio está em 17º com seis pontos em 21. Chance de taça, 0,05%; Libertadores, 6,6%; Sul-Americana, 49,5% e rebaixamento, 10.5%. O time aparece na zona funesta.
O Juventude ocupa o 11º lugar com 10 pontos em 24 disputados. Possibilidades: de título, 0%; Libertadores, 0,8%; Sul-Americana, 19,9% e rebaixamento, 33,2%.
Grêmio e Inter estão blindados de críticas mais ácidas porque andam feitos nômades, treinando aqui e ali e jogando lá e acolá.
Embora andassem jogando pouco ou quase nada antes da enchente.
Como a esperança é a última que morre fico torcendo por dias melhores.
Não posso jogar a tolha em junho.