O coronavírus e a celulite infecciosa
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O coronavírus e a celulite infecciosa

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Numa das crônicas do livro Partidas, que escrevi ao lado de José Facundo e Claudia Schroeder, lembrei dos Jogos de Atlanta, quando uma bomba explodiu no dia 27 de julho de 1996 no Centennial Park, o parque temático da Coca-Cola, ferindo centenas de pessoas e matando duas.
Eu estava hospitalizado no Georgia Baptist. O episódio rendeu um filme chamado "O caso Richard Jewell" dirigido e produzido por Clint Eastwood. Trecho do livro:
“Fico no térreo, numa cama destas com rodinhas. Aplicam uma agulha em cada braço. Em menos de 5 minutos, alguém retira as agulhas e sai em disparada pelo corredor gritando ‘uma bomba, uma bomba’. Entra com minha cama no elevador e eu, desesperado, mando que ele saia do hospital. Se tem uma bomba ali, o melhor lugar é lá fora. Ele me explica que havia explodido uma bomba no Centennial Park e que 57 das mais de cem vítimas estavam sendo conduzidas para o Baptist.” 
Descobririam depois que eu tinha celulite infecciosa causada pelo ataque de bactérias que penetram na pele do paciente através de um corte, ferida, úlcera, bolha ou até por uma micose nos pés.
O que segue foi retirado do site www.tuasaude.com: "Celulite infecciosa, também conhecida como celulite bacteriana, acontece quando bactérias conseguem entrar na pele, infectando as camadas mais profundas e causando sintomas como vermelhidão intensa na pele, dor e inchaço. Ao contrário da popular celulite, que, na realidade, se chama fibro edema gelóide, a celulite infecciosa pode causar graves complicações como septicemia, que é a infecção geral do organismo, ou até mesmo morte, caso não seja devidamente tratada."
Vou recordar um pouco desta história.
Era uma quinta-feira, 26 de julho de 1996. Estava no metrô de Atlanta me dirigindo ao Centro de Imprensa para mais um dia de cobertura dos Jogos Olímpicos. Assim, sem mais nem menos, tive a impressão de ter rompido tíbia e perônio, tamanha a dor na perna. Sentia calafrios.
Mesmo assim, trabalhei. À noite, não podendo resistir à dor, fui levado por Marsha Peterson, nossa querida guia norte-americana, ao hospital Georgia Baptist. O doutor Melton exigiu minha internação imediata. Justifiquei ter que seguir minha cobertura. No dia seguinte, retornaria. Para ficar.
Retornaria, levado pelo filho do doutor Eduardo de Rose, porque me garantiam ser o Georgia Baptist o hospital da família olímpica, ou seja, dos que possuiam a credencial oficial. A enfermeira-chefe Zoila Calas confirmou. Fiquei no térreo, numa cama destas com rodinhas. Aplicam  uma agulha em cada braço. 
Em menos de 5min, alguém retira as agulhas e sai em disparada pelo corredor gritando ’uma bomba, uma bomba’. Entra com minha cama no elevador e eu, desesperado, mando que ele saia do hospital. Se tem uma bomba ali, o melhor lugar é lá fora. Ele me explica que havia explodido uma bomba no Centennial Park e que 57 das mais de cem vítimas estavam sendo conduzidas para o Georgia Baptist.
Que fato me leva a escrever sobre isto? A bactéria invadiu meu organismo através de uma bolha no calcanhar. A bolha havia estourado e deixou livre o caminho para a celulite infeccionar minha perna. Levaram três dias para descobrir a doença. A descoberta aconteceu justamente quando começavam a falar em drenagem. Foram meses de tratamento. Ficaram marcas para sempre. Não no calcanhar, mas na um pouco abaixo da canela do meu joelho direito. É só pressionar que a pele afunda. Você deve estar se perguntando o que isto tem a ver com o coronavírus. Já chego lá. 
Disse ao doutor Melton que eu já havia tido centenas de bolhas estouradas nos pés e que jamais fora acometido de algo tão grave, que pode acarretar a morte. Ouvi dele que muitos fatores haviam contribuído para favorecer a invasão da bactéria. Primeiro, eu estava num país estrageiro. Segundo, não estava me alimentando adequadamente. Terceiro, estava desidratado. O quadro era de estresse. 
Dias atrás ouvi um médico recomendar boa alimentação, repouso e muita água para ajudar no combate ao coranavírus. Isto me levou a escrever esta coluna. Até os quero-queros de Barão sabem das indicações de lavar as mãos com sabão e passar álcool gel. Mas talvez o amigo leitor esteja se descuidando da alimentação e da hidratação. Enquanto isto eu sigo confinado, atendendo as recomendações dos médicos. Estou fazendo a minha parte. Já encontrei uma nova rotina. Em alguns momentos bate a solidão, mas não é o fim do mundo. Tem o trabalho, que continuo fazendo como se estivesse no jornal, a rotina da casa (alimentação, limpeza...), os livros, a TV, as conversas com vídeo pelo whatsapp...Tento não pensar em quanto tempo isto vai durar. Porque isto sim é enlouquecedor.