Hiltor Mombach

O dia em que o Brasil perdeu a Copa

Os 70 anos de uma tragédia

Por Alexandre Bernardi / Chapecó, SC

No próximo dia 16 de Julho, completam-se 70 anos de uma das mais dramáticas páginas do nosso esporte: a derrota da seleção brasileira para o Uruguai, na Copa do Mundo de 1950.
Passados 70 anos do fato, o que mais impressiona é a ainda viva lembrança do que ocorreu no Maracanã lotado, naquele domingo de Julho.
Com parcos registros televisivos, fotográficos e radiofônicos , com a ampla maioria dos personagens já falecidos ou em idade avançada o que é que existe, nesse episódio que tanto intriga os apaixonados pelo futebol? 
Perdemos uma semi-final de Copa do Mundo também em casa, por uma vexatória goleada há seis anos mas os fantasmas de 50 ainda rondam os amantes do jogo.
Por que? Analisando a escassa literatura a respeito da partida, praticamente decretada aos 33 minutos do segundo tempo, após a arrancada do atacante uruguaio Ghiggia e que culminou no gol da vitória da celeste, chego a conclusão que aquele gol tem um peso filosófico em nossa história moderna. 
Sim, tem e muito. 
Era um país advindo de uma ditadura militar (sim,o Estado Novo também foi uma ditadura), num mundo pós-guerra, que tentava afirmar-se no cenário mundial e que via ruir, em poucos instantes, a notória possibilidade de uma glória. 
Era a ilusão desfeita.
Era o retorno a um lugar insignificante, pensavam, de onde nunca deveriam ter saído, o famigerado “complexo vira-latas”.
 Era uma derrota da própria sociedade brasileira, embrião dum futuro promissor. 
O gol uruguaio reavivou um pessimismo tradicional, a desesperança em suas próprias vidas.
Não havia nada a fazer.
 Vencemos as batalhas para, exatamente na última perdermos, como comenta o jornalista Paulo Perdigão no seu aclamado livro “Anatomia de uma derrota”. 
Será que aprendemos com uma derrota tão amarga? 
Será que sentirmos na pele, uma marca a ferro e fogo é suficiente e necessário para adquirirmos conhecimento, para nos prepararmos para o futuro ou para enfrentarmos melhor as adversidades e os percalços?
Será que uma vitória em 1950 não teria sido mais emblemática e decisiva ou seria apenas uma estrela a mais bordada em nosso escudo, quase desbotada em nossa memória?