As chamadas Sociedades Anônimas Futebol (SAFs) dividem corações e mentes do torcedor brasileiro.
Prefiro clubes sem dono.
Vai algum tempo Milly Lacombe, colunista do UOL, escreveu:
“Aceitar que o seu time de coração passe a ter um dono é dizer que essa camisa tem um preço. Tem? Quanto vale o seu time?
Quanto vale sua paixão?”
Estão vendendo gato por lebre:
“Dos mesmos produtores de "quando cobrarmos pela bagagem o preço da passagem vai cair" vem aí "a privatização do seu clube de coração é o caminho para o progresso do futebol brasileiro".
José Francisco C. Manssur, presidente da Comissão de Direito Desportivo e Mercado do Movimento de Defesa da Advocacia, vai no caminho contrário.
Em artigo para o site www.migalhas.com.br que leva o título de “A SAF: o dono e o povo” justifica. Trechos.
“Um ponto importante levantado por alguns dirigentes merece reflexão.
Alegam, alguns, que "seus" clubes não deveriam adotar o modelo da SAF, porque são do "povo" e não podem ter "donos".
Vale a pena o debate sobre tal afirmação...
Que democracia é essa na qual centenas de dirigentes, conselheiros e associados, decidem os destinos de times sustentados pelo amor - do qual advém a maior parte das receitas - de dezenas de milhões de torcedores?
Salvo melhor juízo, clube-associação, no qual o poder de deliberação está concentrado nas mãos de uns poucos dirigentes e suas oligarquias, muitas vezes mantidas no poder por si, familiares e aliados por mais de décadas, suportados pelo voto de outros poucos conselheiros e associados, no qual o torcedor em praticamente nada participa do processo de gestão para além de ser o "pagador das contas", está muito longe de ser uma democracia, muito menos pode afirmar com honesta convicção que pertence ao "Povo".
Só pertence ao Povo o País, Estado ou Cidade, ou mesmo, uma Instituição que confere efetivamente ao Povo o poder de deliberar sobre seus destinos.”
O dono e e povo
“Aceitar que o seu time de coração passe a ter um dono é dizer que essa camisa tem um preço. Tem? Quanto vale o seu time?"
