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Há indicativos de que finalmente estourou a bolha financeira do futebol brasileiro, de que a orgia dos salários estratosféricos está chegando ao fim. Gostaria de acreditar nestes indicativos, mas sou incrédulo. Minha intuição diz que a imensa maioria dos dirigentes continuará gastando mais do que entra no cofre, de que a roda do futebol continuará girando exatamente igual, com os clubes cada vez mais endividados. Quero muito estar enganado desta vez. O caso do Grêmio é pontual. Koff viu-se obrigado a reduzir a folha de pagamento deR$ 9 milhões/mês para R$ 4,5 milhões/mês pois não há fluxo de caixa. Todo o dinheiro da renda dos jogos na Arena vai para a Arena Porto-Alegrense. Por outro lado o clube andou antecipando quase todas a verbas. O Atlético Mineiro, que renovou com Ronaldinho, e, cá entre nós, o meia não deve ter aceitado ganhar menos, também vive um caso pontual. Desde o final de 2013, o Galo vem apelando à presidenta Dilma Rousseff e ao Partido dos Trabalhadores para que ajude a resolver um impasse o bloqueio arbitrário do dinheiro resultante da venda do jogador Bernard. O Inter vem prometendo há anos reduzir gastos. Apenas renovou a promessa no começo de 2014, assim como Vasco da Gama, Flamengo, Botafogo, Palmeiras, São Paulo... Em 2002 o então presidente do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa, prometeu reduzir em 30% a diminuição dos gastos com salários de atletas. Ou seja, não é de hoje que se ouve falar em cortar gastos, baixar salários. Na prática, o que temos? A dívida do Flamengo, que era de R$ 442 milhões em 2011, saltou para R$ 758 milhões no ano seguinte. No mesmo período, a dívida do Inter saltou de R$ 295 milhões para 318 milhões. O Grêmio foi mais comedido: saiu dos R$ 220 milhões para os R$ 232 milhões. Mesmo com um crescimento contínuo de receitas, os grandes clubes brasileiros não conseguiram segurar os gastos e aumentaram também o tamanho de suas dívidas em 2012. Por conhecer a forma de comandar os clubes da maioria dos dirigentes brasileiros Mantenho minha incredulidade mesmo diante de fatos que indicam que a bolha estourou. O paradoxo é que os jogadores parecem que não irão sentir no bolso o estouro. Pelo menos num primeiro momento. Porque alguns clubes estão dividindo salários. É o caso de Elano, por exemplo. O Grêmio pagará R$ 260 mil/mês e o Flamengo R$ 260 mil/mês.