Ouvi de Noveletto certa feita que se a Liga desse certo seria o fim do futebol gaúcho.
A Liga não deu certo, mas o Gauchão segue sua trajetória moribunda.
Muitos fatos justificam isto.
O acesso cada vez mais facilitado aos jogos da Europa escancara um choque de realidades, o pay-per-view, a pobreza técnica da imensa maioria dos times do Interior, estádios acanhados, a crise financeira do Brasil, a saturação de campeonatos, num calendário maluco que empilha torneios, a concorrência de outros atrativos...
A pergunta que faço é simples: o fim do Gauchão está escrito nas estrelas, é irreversível?
Vou pegar um caso como exemplo.
O Caxias teve média de ocupação do seu estádio no regional de 2017 de apenas 8%. O valor médio do ingresso praticado foi de R$ 36,00.
O valor médio, R$ 36,00, é bem razoável, mas pode ser aplicado em jogos de baixíssima qualidade técnica?
Não sei se cobrar menos resolveria a questão, mas sei que valeria pelo menos um teste.
De uma forma ou outra, até com ingresso franqueado para alguns segmentos, os clubes do Interior deveriam facilitar de todas as formas uma participação maior da comunidade.
Até porque Grêmio e Inter não são mais trens pagadores.
Qual foi a média mais alta de ingresso no regional de 2017?
A do Novo Hamburgo, R$ 55,00.
O São Luiz de Ijuí, que nesta quarta-feira encara um time de transição do Grêmio, vai cobrar por uma arquibancada geral, R$ 80,00; pelo pavilhão social, R$ 140,00 e pelas cadeiras numeradas, R$ 200,00.
Pode ser que mesmo sem suas estrelas o Grêmio arraste bom público.
Mas que o preço é salgado, é.
Com o torcedor passando o pires, num estado que atrasa os salários dos servidores públicos, cobrar cerca de 10% de um salário mínimo por uma arquibancada para um jogo onde a atração principal, o Grêmio, não conta com nenhum titular, é ou não elitizar o futebol?
