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O Globo perguntou para Nelio Lucas “como têm sido as reações dos clubes brasileiros com quem vocês fazem negócio.” Resposta: “Agora que foram informados pela CBF é que eles devem ter entendido o que está em causa. É a estrutura do futebol brasileiro. Tenho vindo ao Brasil para alertá-los faz muito tempo e achei estranho. Sempre falei para todo mundo que não havia reação dos clubes brasileiros e não entendia por quê, mas deve ser o DNA português, que deixa tudo para resolver no final. Na Europa as ligas se reuniram. No Brasil não vejo ninguém preocupado. No Brasil não há uma liga. Não há união entre clubes nem para reduzir despesas, nem para aumentar receitas, quanto mais para brigar com a Fifa.” Ou seja: o Brasil está assistindo, esperando para ver o que irá acontecer. A Doyen tem investimentos de 130 milhões de euros dispersos em várias ligas mundiais. Isto me faz lembrar a Lei Pelé, criada no final dos anos 90. A imensa maioria dos clubes brasileiros imaginou que tal lei jamais vingaria. Pagaram para ver e se deram mal. As raras instituições que compreenderam a novidade e logo se adaptaram, ganharam muito dinheiro. Inter (o clube que mais faturou com venda desde 2003) e São Paulo estão entre elas. O Grêmio demorou para engrenar. Justamente o Grêmio, um dos pioneiros no Brasil em vender fatias de jogadores para empresários.