Hiltor Mombach

O futebol, a bolha e o idiota

O futebol tem, historicamente, a progressão fulminante da catástrofe.
Os balanços de final de ano se repetem anunciando a falência dos clubes.
São milhões e milhões negativos despejados aos borbotões.
Há clubes centenariamente falidos e que continuam gastando os tubos.
O balanço é de quem está passando o chapéu na Rua da Praia e a gastança de um Onassis.
Vai algum tempo surgiu o termo bolha.
Todo ramo de negócio tem sua bolha.
No negócio imobiliário, a bolha estoura provocando um tsunami.
No futebol, quando estoura nem brisa faz.
Li num jornal que a bolha do futebol finalmente desembarcará no Brasil em 2015.
Fui tomado por um indescritível júbilo.
Os salários nababescos pagos pelos grandes clubes aos seus jogadores são um veneno para minha úlcera e inveja.
Ahahahahaha, ri, me divertindo com a desgraça alheia: finalmente vão apresentar o futebol ao Brasil.
Ou o Brasil pedinte ao futebol.
Nada pior e mais vil do que esta espécie de satisfação, de euforia, o leitor dirá.
Confesso que minha reação diante destes sentimentos não foi de pusilanimidade.
Não se trata aqui de rir da desgraça alheia, mas de festejar a igualdade.
Continuei lendo.
A matéria dava conta de um jogador em crise existencial.
Motivo: nenhum clube está aceitando pagar mais de R$ 300 mil por mês, R$ 10 mil por dia, R$ 3,6 milhões por ano.
Um, dois, três, vamos lá outra vez: trezentos mil reais a cada 30 dias.
Primeiro, desabei do júbilo para o mais completo espanto.
Depois, me senti o mais translúcido idiota.
Havia caído outra vez nesta falácia a bolha.