Significado da palavra elite:
“Minoria que detém o prestígio e o domínio sobre o grupo social.”
Vai algum tempo, o advogado Rodrigo R. Monteiro de Castro escreveu em sua coluna Meio de Campo, abrigada pelo site Migalhas, com o título de “a elitização do futebol mundial” aquilo que parece uma sentença:
...”Daí, aliás, a crise sistêmica do futebol local.
O caminho será a definição de poucos times que receberão os favores ou a simpatia do status quo, para representar ou justificar a posição de protagonismo que, exceto pela seleção, não existe mais. O resultado parece óbvio: a elitização do futebol, com o incentivo ao surgimento de pouquíssimas potências locais, que dominarão o cenário nacional e tentarão competir no internacional.”
Agora, um estudo da Ernst & Young (EY) em parceria com Cesar Grafietti (Cesar Finance & Mgmt Consulting) sobre o impacto do novo formato de divisão de cotas da televisão, além da quebra da hegemonia da Globo, já que alguns clubes assinaram com a Turner, controladora do Esporte Interativo, serve como um alerta.
“O que se via no Brasil estava distante de uma suposta “espanholização” dados outros fatores de gestão dos clubes, da publicidade à bilheteria, passando pelo controle de custos.
O modelo inglês que será aplicado a partir de 2019, ao fim, tende a criar um cenário “inglês” de realidade econômica: 4 a 6 clubes poderosos e um grupo grande de clubes competitivos entre si mas distantes do primeiro bloco.
Adicionalmente, por ser um modelo baseado em receitas variáveis, força a clubes que hoje já enfrentam dificuldades financeiras a financiar o seu fluxo de caixa no mercado financeiro, que aqui cobra taxas bem mais altas que na Europa.
Como vimos nas análises, o dinheiro da TV será menor que nos anos anteriores em boa parte do ano.
Isso, dentre outros efeitos colaterais, vai acentuar a seleção natural dos clubes mais fortes financeiramente como os que serão esportivamente dominantes.
Se isso é ruim ou bom, depende da perspectiva: para clubes fora do “grupo dos 12 grandes” isso significa a chance real de competir de igual com alguns desses clubes que já não são esportivamente superiores.
A disputa pelos objetivos intermediários será feroz, como na Europa e eventualmente, um dos clubes desse bloco, em um ano que tudo “encaixe” ganhará os grandes títulos.
Como na Europa, de onde se trouxe o “modelo”.
O estudo é claro:
“Se por um lado as divisões de TV fechada e TV aberta tendem a diminuir a distância entre quem recebe mais e menos, o fator pay-per-view torna a acentuá-la.”
Um abismo separa Flamengo e Corinthians dos demais quando se trata de pay-per-view.
Importante dirigente do Inter não crê muito no estudo, que chama de acadêmico, e afirma não ver melhor forma de distribuição das cotas do que esta, que divide 40% do bolo entre os 20 integrantes da Série A, dá 30% pelo pay per view e 30% pelo desempenho.
Resta esperar 2019.
E torcer para que o novo modelo torne o nacional menos desigual.
