Hiltor Mombach

O futebol do RS na guilhotina

Não escrevi aqui que a CPF deveria dar condições de jogo para Oscar.
Escrevi que deveria ter se manifestado com clareza.
Liberando ou NÃO o jogador.
A CPF não apenas lavou as mãos como repassou a responsabilidade da escalção de Oscar contra o Caxias para o Inter.
Se queria tumultuar, tumultuou.
Hoje estamos assim.
Temos uma Confederação Paulista de Futebol mandando no futebol brasileiro.
Os clubes reféns estão reféns da CPF e da Globo.
A Globo distribui a grana da TV sem intermediários.
O Clube dos 13 não existe mais.
A Globo escolhe quem ganha mais ou menos.
Inter e Grêmio ganham menos.
A FGF está relegada a quase nada.
Na sexta-feira a CPF publicou nota em seu site garantindo apoio para o Brasileiro da Série D.
Nem comunicou Noveletto.
Na terça-feira, Noveletto garantiu que um tal de Carlô iria modificar o ofício inusitado enviado para a Conmebol.
Aquele que dizia tudo sem dizer nada.
Que a nova nota estaria no site da CPF terça-feira ainda.
Carlô é Carlos Eugenio Lopes, diretor jurídico da entidade paulista.
Telefonamos para Carlô.
Disse que não mudaria nada.
Como não mudou até agora.
Noveletto acreditou!
Só um lavante muda tal situação.
Mas como esperar um levante?
O Rio Grande do Sul vai a reboque.
Estamos assistindo a derrocada do futebol fora do eixo Rio-São Paulo.
Viramos reféns da CPF e da Globo.
Tanto nos agachamos que acabamos assim.
Como a esperança é a última que morre, ainda tenho esperança.
Que os dirigentes mais corajosos conheçam um poema.
O poema abaixo.

A caminho com Maiakovski

Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim: não dizemos nada.
Na segunda, já não se escondem. Pisam as flores, matam o nosso cão e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

E que decidam brigar.