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Os senadores aprovaram, nesta semana, a MP do Profut, o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro. Para, entre outras coisas, salvar os clubes, quase todos quebrados, da bancarrota. Há 20 anos os clubes já deviam R$ 284 milhões para a Previdência Social. Hoje, a dívida total bate nos R$ 5 bilhões. Há 20 anos a União deu a sua primeira colher de chá: pagar com a arrecadação de 5% da receita de bilheteria. Ministro na época, Antônio Britto festejou: “A Previdência vai torcer para que todos os jogos sejam um sucesso de público”. O que se seguiu foi o descalabro. Veio o Refis como salvação da lavoura. Os clubes aceitaram o parcelamento, mas seguiram inadimplentes. Veio o Timemania. Não resolveu. Agora, surge o Lotex. Um senador lamentou que a proposta de criação de outra loteria para ajudar os clubes de futebol a pagarem suas dívidas, já que a Timemania foi criada para o mesmo fim. “Quantas loterias ainda terão de ser criadas para ajudar os clubes de futebol?”. Enquanto os analistas estão alertando vai muito tempo que estourou a bolha, os grandes clubes aumentaram em 98% seus gastos com o futebol nas últimas cinco temporadas. Do relatório da BDO RCS em 2014: “Os clubes apresentaram um crescimento de R$ 762 milhões no cálculo do endividamento total, desconsiderando dívidas passíveis de parcelamento pela Timemania. Apenas Fluminense, Palmeiras, São Paulo e Criciúma tiveram uma redução do endividamento sem Timemania.” Quando mais o governo pedala, mais devem. A BDO também apontou que “os dois clubes do Rio Grande do Sul (Inter e Grêmio) acumularam nos últimos cinco anos um total de R$ 108,4 milhões em déficits.” Mais: “Os seis clubes de São Paulo acumularam nos últimos cinco anos um total de R$ 294,5 milhões em déficits.” A MP do Profut concede algumas mamatas. Um dos senadores disparou: “Não posso concordar com uma anistia fiscal, anistia de multas, juros e encargos legais. Antes de premiar os inadimplentes devemos premiar os adimplentes, aqueles que com todas suas dificuldades ainda cumprem suas obrigações e pagam suas contas e impostos em dias”. O futebol imita o Brasil ou vice-versa. Clubes que arrecadam R$ 300 milhões por ano não recolherem seus impostos, mas pagam R$ 600 mil, R$ 700 mil por mês para um jogador. Já o cidadão é a Geni brasileira. Para o cidadão não há benefício. Quando os senadores estenderam o mecanismo de reajuste do salário mínimo também para os aposentados, Delcídio Amaral, do PT/MS, saltou: “Isso aí quebra o país e nós temos que ter a responsabilidade para garantir, inclusive, a Previdência...” O que quebra o país é esta filosofia burra de castigar quem trabalhou e pagou a Previdência uma vida inteira retribuindo com salário indigno. Isto e os escândalos. Sobre escândalos, escolha um: Lava Jato, Zelotes, Esquema do Plano Safra Legal...E vem mais três CPIs por aí. Uma investigará empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Antes de seguir, um parêntese sobre a CPI do Futebol. Um dos integrantes é Fernando Collor. Está aberta a pizzaria. A MP do Profut sofreu mudanças no caminho. A bancada da bola é poderosa. Teve aumento do limite de 70% para 80% do rendimento dos clubes para pagamento de salários de jogadores e aumento do prazo de pagamento das dívidas renegociadas, que passou de 120 para 240 meses. Barbarda para os inadimplentes clubes de futebol. Um dos requisitos para participar do Profut é “o cumprimento dos contratos e regular pagamento dos encargos relativos a todos os profissionais contratados (salários, FGTS, previdência, direito de imagem)”. Sim, é isto que está escrito, leitor. Vejam: um dos requisitos é pagar os salários. Precisa uma MP para obrigar os clubes a pagarem salários! É rir para não chorar. É o Brasil!