Hiltor Mombach

O futebol e o caráter nacional

O texto abaixo está no blogue de Juca Kfouri.
http://blogdojuca.uol.com.br/2018/07/o-futebol-e-o-carater-nacional/

POR JOÃO BATISTA FREIRE*
Para mim, futebol pode ser arte, e é, nos pés de Maradona, Pelé, Messi ou Neymar.
E pode não ser, nos pés de jogadores comuns.
Música pode ser arte, e pode não ser.
Louvamos os grandes pianistas, os excepcionais cantores, os arquitetos geniais, os grandes chefes de cozinha, os fabulosos pintores.
E sequer lhes vasculhamos o caráter.
E se mostrarem mau-caráter, passamos por cima, enriquece a lenda, etc. Se um artista brasileiro se consagra internacionalmente, nos orgulhamos e sua vida pessoal, seu caráter, não desmerece sua arte.
No futebol, no entanto, a cada gol, a cada atitude, o caráter pesa, a vida pessoal é destrinchada.
E, por mais que o futebol arte, inventado pelos brasileiros na primeira metade do século XX, seja consagrado internacionalmente, não é contado como uma conquista cultural de um povo.
Sobram detratores que julgam que o êxito do futebol diminui o êxito social.
Poucas produções culturais de nosso povo, ou nenhuma, atingiu o refinamento e o êxito do futebol.
Somos bons em algumas coisas, e uma delas é o futebol, ganhando ou perdendo a Copa.
O futebol nos diz que podemos ser bons como povo.
Se não somos, nós, o povo, é que devemos responder.
*João Batista Freire é professor Livre Docente aposentado da Unicamp, além de ter trabalhado na USP e na Universidade Federal da Paraíba e na Universidade Estadual de Santa Catarina, e autor de diversos livros sobre Educação Física.