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Rendas baixas e pouco público nos estádios sempre foram componentes dos Gauchões. No entanto, nunca a crise atingiu os limites atuais. Cada vez como menos recursos e mais obrigações, importantes dirigentes de clubes decidiram escancarar a realidade. Para o presidente do Ypiranga de Erechim, Osvaldino Fuzinatto, os 10% sobre o valor bruto da renda cobrado pela FGF como taxa de administração são “um absurdo, uma vergonha.” Diz que o Ypiranga paga ainda por uma taxa de fiscalização que varia de R$ 1,1 mil a R$ 2,2 mil por jogo: “Este valor deveria estar embutido nos 10%”. De uma renda bruta de R$ 206 mil contra o Grêmio, o clube pagou para a FGF R$ 20,6 mil. Enquanto as agremiações passam o chapeu, a FGF está por inauguar sua nova sede, o Palácio do Esporte, com três andares. O R$ 1 milhão que a FGF se orgulha em distribuir por conta da cota de TV esconde um fato: “A FGF fica com 10% e R$ 50 mil vão para o direito de Arena, que nem sei o que é. Tem os impostos. Sobram R$ 650 mil, diz Osvaldino.” “Os clubes do interior ainda disputam o Gauchão de teimosos. Eu e mais dois empresários colocamos dinheiro para o Ypiranga sobreviver”. O presidente do Juventude, Raimundo Demore,, também se queixa: “A carga federativa está nos matando. Se o Juventude não subir para a Série B do Brasileiro só Deus sabe o que será do clube. Há um sentimento entre todos os dirigentes de que assim como está, não pode ficar. Temos que sentar, rever taxas e buscar soluções.” Ricardo Fonseca, presidente do Brasil de Pelotas, acha que o estadual está com os dias contados: “Com tantas taxas, seria melhor jogar com os portões fechados. Devemos dois ou três borderôs para a FGF pois não há grana.” Este colunista ouviu os presidentes dos clubes com maior média de público e renda do regional.