Hiltor Mombach

"O futsal gaúcho deu um passo para trás"

Por Carlos Cesar Quaresma da Silva

"No dia 21/12/2018, o futsal gaúcho deu um passo para trás.
Um dia que era tido pela grande maioria dos dirigentes como de um grande avanço, onde a entidade máxima do futsal gaúcho poderia ser gerida nos próximos quatro anos por pessoas ligadas ao futsal e que vivem o esporte no seu dia a dia, diferentemente do que vem acontecendo nos últimos anos em que o gestor é ligado ao futebol de campo e a FGF, mas não foi isso que aconteceu.
Um bom número de dirigentes se deslocou do interior até Porto Alegre, e o que vivenciaram durante o dia não agradou a ninguém.
De inicio, não foi cumprida a ordem do dia enviada aos clubes, no edital de convocação para a assembléia, onde não foi apresentada a prestação de contas da atual gestão, e o mais grave, segundo os dirigentes presentes, nunca foram convocados para uma assembléia de prestação de contas, como prevê o estatuto da entidade. O que por si já impossibilita o atual presidente de concorrer.
Mas o mais absurdo ainda estava por vir.
A chapa do atual presidente apresentou pedido de impugnação da chapa de oposição.
A comissão eleitoral, que era presidida pelo assessor jurídico da FGFS, e composta por mais dois integrantes, um representante de cada chapa, se reuniu para deliberar sobre os pedidos.
Durante horas a sessão ficou interrompida e várias conversas entre integrantes das chapas foram travadas, o presidente da comissão inclusive apresentou uma proposta de “consenso” que foi rejeitada pela oposição pois no seu pensamento, não iria mudar em nada a atual situação.
Depois de muito tempo parada, a sessão se reinicia, e o presidente da comissão por sua interpretação, sendo que tem ligação a atual gestão, e baseado em um estatuto totalmente desatualizado e vago, como o próprio disse, votou pela impugnação da chapa de oposição e aclamou o atual gestor como vencedor do pleito.
Para revolta de todos no plenário uma vez que o mesmo nem levou em consideração o pedido de impugnação apresentada pela chapa impugnada.
Uma “eleição” aonde apenas uma chapa teve a vez e voz de apresentar sua impugnação, e a outra simplesmente não teve este direito, fica fácil aclamar o novo presidente.
Em conversas com diversos dirigentes, podemos constatar que nas últimas semanas as desconfianças de que teríamos surpresas na eleição eram grandes, primeiramente para surpresa de muitos foi o lançamento da candidatura do atual presidente uma vez que nas reuniões das séries prata e bronze, ele se despediu e deixou claro que não concorreria a reeleição. Depois de lançada a candidatura, os dirigentes reclamam das formas com que os times foram abordados pelo mesmo na busca de apoio, usando modos pouco éticos e que não condizem com democracia.
Quem esteve presente na assembleia junto ao plenário do TJD, assistiu a um verdadeiro espetáculo de circo, onde os dirigentes que se fizeram presentes foram tratados como verdadeiros palhaços.
Sabendo da quase total rejeição por partes dos clubes, e que a derrota nas urnas era iminente, o que se tinha a fazer, era evitar os votos, e foi o que foi feito, um verdadeiro espetáculo de circo, debochando da seriedade dos dirigentes, que se deslocaram até Porto Alegre, muitos com viagens superiores a 5 horas, e que deixaram seus afazeres particulares a fim de participar deste dia tido como tão importante para o futsal.
Após muita discussão no plenário a comissão eleitoral deu a sessão por encerrada e se retiraram do local, e pasmem, dizendo que os dirigentes não tinham direito de assinar a ata da reunião, ou seja, saíram da assembléia sem ao menos saber o teor da ata da mesma.
O clima de revolta era total entre os presentes, simplesmente trataram todos como palhaços, esbravejam os dirigentes.
A chapa impugnada irá atrás de seus direitos judicialmente, e deve-o fazer.
Mas o clima de indignação e união entre os dirigentes é algo que há muito tempo não se vê.
Se depender daqueles que realmente levam o futsal à frente, que são os amantes do esporte, que vivem diretamente as dificuldades de se manter os times na ativa, a “eleição” não acabou ainda não.
Os desmandos presenciados no dia de ontem não agradaram a nenhum dirigente.
O que se pode ver, é a grande rejeição por quase todos os dirigentes, pela atuação da atual diretoria, os mesmos, devem se reunir nos próximos dias para definir os rumos a serem seguidos, mas o que se vê é que com a permanecia do resultado imposto, teremos uma debandada geral das equipes da federação e a fundação de uma nova liga ou ainda o ingresso na já criada Liga Gaúcha.
Uma coisa é certa, os times foram ignorados e feitos de bobos, mas o que vem pela frente é para mostrar a união e a força do futsal gaúcho, mostrar que não se brinca com o trabalho honesto e duro de todos os clubes, que são os que fazem o futsal acontecer.
É triste ver a que situação chegou o nosso futsal, aquele de tantos títulos nacionais e internacionais, aquele que por muito tempo foi considerado o melhor do país, mas com situações como as de ontem, acabam manchando nosso futsal."
Nossa Chapa para a eleição foi composta por:
Cargos Eletivos:
- Presidente: Carlos César Quaresma da Silva
- Vice-Presidente: Elton Dalla Vecchia (SER Atlântico)
- Conselho Fiscal:
Fabiano Käfer (ACBF), Matheo Casagrande (Passo Fundo Futsal) e Rafael Arenhardt (Cerro Largo).
- Conselho Fiscal (Suplentes):
Leandro Pavanatto (Uruguaianense), Edeivison Vigo (Lagoa Futsal) e Claudemir de Oliveira (União Independente).


Despacho concedido hoje pela juíza:


“Trata-se de ação anulatória em que pretende a parte autora tutela de urgência para:
(i) anular a eleição da Diretoria da Federação Gaúcha de Futebol de Salão; FGFS para o quadriênio 2019-2022;
(ii) declarar o impedimento de César Cabral e sua chapa “Seguir Avançando” para participar das eleições da FGFS;
(iii) declarar a nulidade do registro da chapa “Seguir Avançando”;
(iv) declarar a chapa “O Resgate do Futsal Gaúcho” como apta para participar do pleito; e,
(v) declarar a chapa “O Resgate do Futsal Gaúcho” eleita para ocupar a gestão 2019-2020; ou, subsidiariamente,
(vi) determinar o afastamento de César Cabral e demais integrantes da Diretoria, nomeando-se interventor até a realização de novo processo eleitoral.
Em que pese os documentos juntados às fls. 116/118 confirmem a existência de procedimento investigatório instaurado pela Promotoria de Justiça Especializada do Torcedor para apurar as notícias de que os demandados não prestavam as contas relativas ao período em que administraram a entidade (2014-2018), entendo que os pedidos desafiam um juízo de cognição exauriente, no qual é possibilitado o contraditório, até mesmo porque as impugnações levantadas pelos demandantes já foram objetos de análise pela Junta Eleitoral do sufrágio da entidade (fls. 153/154).
Pelo exposto, indefiro a antecipação de tutela requerida, visto que, por ora, ausentes os requisitos do art. 300 do Código de Processo Civil. Diante do expresso desinteresse na designação de audiência conciliatória, cite-se a parte contrária para, querendo, apresentar contestação no prazo de 15 dias, contados da juntada do aviso de recebimento da carta aos autos (art. 231, I e II, do CPC).”