Hiltor Mombach

O Gauchão agoniza, parte 2

Desconheço como funcionam as coisas no Interior. Relato o que eu ouvi.
Os empresários dominam os clubes. Eles estão enriquecendo e os clubes
quebrando. Jogador de R$ 5 mil por mês não assina por menos de R$ 15 mil
por intervenção do seu empresário, que leva uma beirada.


 

Motivos I
Basta o clube do Interior revelar um menino promissor para descobrir
que este já tem contrato com um empresário, que muitas vezes pode ser um
advogado. Quero saber como se quebra este sistema. Resposta: só mudando a
lei. Então, que se pressione para mudar a lei. 

Trombone


O que me espanta é que os dirigentes de clubes do Interior não botam a
boca no trombone, não denunciam o que está acontecendo, estes fatos que,
somados, tornaram o Gauchão uma caravana da miséria, com clubes
indigentes. Não entendo este silêncio. Meu e-mail está aberto para recebe
sugestões e denúncias. Algo tem que ser feito e com urgência. Minha
opinião é que Noveletto deveria liderar um levante para mudar a lei,
limitando o poder do empresário.


Sistema


Durante anos clubes importantes como São Paulo, Inter e Cruzeiro
faturaram milhões (o Inter quase meio bilhão desde 2006) com a venda de
jogadores. Sem o dinheiro da bilheteria, o Grêmio recentemente pagou
salários atrasados negociando jogadores. E há empresários por trás,
levando suas comissões. Porque isto não funciona no Interior? Em tempo:
funciona no Juventude, mas, endividado, o clube vence pelo que oferecem.
Lembro de Alex Telles.


Problema


Não é omitindo os problemas que um dia teremos
um campeonato melhor. É preciso que se lembre que, como está, o regional
virou uma caravana da miséria. Quem gosta do ruralito, como eu, tem a
obrigação de pelear para que o certame deixe de respirar por aparelhos.
Perguntar não ofende: os dirigentes também querem mudanças?