Hiltor Mombach

O golpe, esporte e mais (parte 2)

O renomado Cid Pinheiro Cabral escrevia uma coluna esportiva para a Folha que levava o nome de “fora das quatro linhas”.
Em 3 de abril, registrou:
“Após três dias de pesadelo, vola a Nação à normalidade, embora, nas grandes cidades e pontos estratégicos, fôrças militares ainda façam atro de presença,procurando evitar aglomerações e conflitos esporádicos.
Há, por trás disto, como que um desejo de que tudo retorne ao que era antes, sem as preocupações geradas pelos acontecimentos que têm canhões, metralhadoras e fuzis como tela de fundo.
No tocante ao futebol, só falta que a Secretaria de Segurança, que proibiu as reuniões, revogue essa disposição até domingo, ou senão apenas quanto às competições esportivas, e já tudo voltará ao que antes era”.
Cid no dia 6:
“Ainda que de forma parcial, as atividades esportivas recomeçaram, ontem, no país. O “clima de guerra” de muitas cidades, porém, não permitiu a realização de jogos, como aconteceu, por exemplo, em Pôrto Alegre e no Rio, com o Maracanã servindo de quartel-gereal das fôrças mineiras e paulistas que convergiram de seus Estados sôbre o Rio de Janeiro.
Espera-se normalidade, porém, nesta semana, com treinos...
É, pelo menos, o que se espera possa acontecer em Pôrto Alegre, onde o futebol custa muito dinheiro e os cofres, a esta altura, andam mais raspados do que axilas de vedetas...”