Não está registrado em livro algum quando um time entra em parafuso.
Como também não há para quando decola.
Mas há indícios, alguns bem claros.
As coisas já iam mal pelas bandas da Arena no começo de 2021.
Pioraram quando o Grêmio foi eliminado pelo Independiente de Valle. Renato, para quem o time voltaria a jogar o melhor futebol do país, repetindo 2017, caiu.
Fora da Libertadores, o clube foi disputar a Copa Sul-Americana.
Em julho, caiu da Sul-Americana diante do LDU, do Equador, sob o comando de outro ícone, Felipão.
Os dois tropeços aconteceram diante da torcida.
Ali a situação era tensa e densa.
Com a queda para a Segundona parecia que o time havia chegado ao fim do poço.
Como desgraça chama desgraça, o Grêmio cometeu a façanha de ser eliminado na primeira fase da Copa do Brasil para o modestíssimo Mirassol.
Assim, em queda livre, foi para o Gre-Nal de quarta-feira pelo ruralito.
Pouco valia, pois já estava garantido nas semifinais. Tivesse perdido, como perdeu, mas jogado razoavelmente, e permaneceria tudo como dantes no quartel de Abrantes.
Afinal, era impossível alguém imaginar que a crise pudesse aumentar.
Ninguém, nem o gremista mais pessimista, poderia sonhar com um Grêmio tão dominado, submisso, apático e desorientado como aquele do primeiro tempo.
Diante de um Inter que também navega em águas turbulentas e que vinha jogando um futebol tico-tico, com o treinador ameaçado de perder o cargo.
O primeiro tempo foi a gota d'água que fez transbordar o conjunto da obra.
Há o temor, legítimo, de que o Grêmio não saia do buraco onde se meteu, a Segundona.
Como crise no futebol sempre se mistura com a política do clube, Romildo, que era rei, virou vilão.
E os mais de R$ 700 milhões em venda de atletas que orgulhavam o torcedor, pois mostravam a pujança da base, viraram motivo de cobrança.
Afinal, hoje o Grêmio não tem um time.
Tem menos do que um arremedo.
O Grêmio em parafuso
As coisas já iam mal pelas bandas da Arena no começo de 2021
