Por Marco Antônio Costa Souza
Sócio e ex-conselheiro do GRÊMIO
Quem me conhece sabe que fui e continuo sendo radicalmente contra o “negócio” da Arena.
Não se trata de ser contra, apenas para contestar. Sinceramente acredito que o negócio da Arena compromete severamente o futuro do Grêmio e é, até mesmo, capaz de comprometer sua perenidade como grande clube. Aliás, digo e escrevo sobre isso desde 2008.
Afinal, o que está acontecendo com o Grêmio? Bons resultados no futebol hoje estão intimamente atrelados a uma boa condição financeira dos clubes. A frase não é minha, é do Marcos Herrmann, mas reflete exatamente o que penso: “Clubes em boas condições financeiras disputam títulos, clubes endividados namoram as últimas posições das competições que disputam.”
Exatamente por isso é que todos os grandes clubes brasileiros que disputaram a segunda divisão, e os que quase disputaram também, foram rebaixados (ou quase) no meio de graves crises financeiras. Como exemplo: Corinthians, Palmeiras, Grêmio, Vasco, Fluminense, Botafogo, Coritiba, Atlético Paranaense, Atlético Mineiro... Não estou falando da “turma do elevador”, aqueles clubes médios que sobem e descem ciclicamente (Guarani, América MG, Ponte Preta, Portuguesa, América RN...).
Os grandes clubes de futebol do Brasil somente foram rebaixados quando enfrentaram problemas sérios com suas finanças.
O Grêmio está com o pagamento de seus jogadores atrasado (os “salários” registrados são pagos para evitar a rescisão dos contratos, mas os direitos de imagem – parte substancial da remuneração mensal - não estão sendo pagos ou estão sendo quitados com muito atraso) e não há ser humano que desempenhe normalmente suas funções se não recebe o que combinou com o “patrão”. Não se trata de tachar os jogadores de “mercenários” ou tampouco cabe discutir se os valores salariais são muito elevados, pois se o clube assumiu o compromisso de pagar, deve honrar sua obrigação. Se não pode pagar que dispense o jogador e que a direção enfrente a ira dos torcedores, explicando claramente o motivo dos problemas vividos.
E por que o Grêmio está com os pagamentos aos jogadores atrasados se outros clubes similares não estão enfrentando esta mesma situação, como por exemplo o co-irmão Internacional?
Neste cenário ruim surge o “negócio Arena” para explicar a falta de recursos do Grêmio. Desde o final de 2012 o Grêmio não recebeu UM ÚNICO CENTAVO da renda dos seus jogos. Tudo ficou com a construtora da Arena. O valor estimado que deixou de ingressar nos cofres do clube é de R$ 80 MILHÕES, em pouco mais de um ano, em razão do(s) contrato(s) assinado(s).
Apenas um detalhe evidencia o tamanho do problema que envolve o Grêmio e este negócio da Arena: Durante a Copa do Mundo, a Arena e o Olímpico não poderão ser utilizados pelo Grêmio, que precisará jogar em outros estádios. Sabem de quem será a renda das partidas do Grêmio jogadas fora da Arena (no Alfredo Jaconi, do Juventude, por exemplo)? Se vocês pensaram em Grêmio... erraram, se pensaram em OAS... BINGO!!! Acertaram!!!
Evidentemente que um clube que é “sangrado” em mais de R$ 80 MILHÕES em pouco mais de um ano, enfrentará dificuldades financeiras, terá problemas para pagar seus jogadores (e funcionários), encontrará resistência para contratar reforços, enfim terá pela frente enormes obstáculos para concretizar aquilo que deveria ser o objetivo principal de qualquer clube grande de futebol: CONQUISTAR TÍTULOS!!!
Grandes clubes de futebol precisam estar focados prefacialmente em vitórias. Possuir bons estádios deve ser consequência, jamais uma prioridade ou uma falsa premissa para proporcionar conquistas.
E muito pior para o Grêmio é que esta situação não aponta para melhorias, pelos menos nos próximos 19/20 anos (prazo do contrato).
Ou o Grêmio renegocia radicalmente este contrato, fazendo valer todos os benefícios que LITERALMENTE DEU DE GRAÇA para a OAS (EU PROVO MATEMATICAMENTE QUE FORAM BILHÕES DE REAIS QUE O GRÊMIO “DOOU”À CONSTRUTORA E ESTOU A DISPOSIÇÃO DE QUALQUER UM PARA FAZER ESSA COMPROVAÇÃO), ou seu futuro é simplesmente sombrio!!!
Como sempre, assumo integralmente a responsabilidade pelo conteúdo e termos utilizados no texto acima. Autorizo a reprodução deste texto em qualquer meio, desde que mantida sua integralidade. 15/05/2014