(Uma opinião sobre as ocorrências circenses da última quarta-feira, pertinentes a jogo do campeonato gaúcho de futebol, e seus delirantes desdobramentos.)
Particularmente, entre tantas manifestações, chamou-me a atenção a virulência com que setores da imprensa, perfeitamente identificados quanto aos seus interesses e preferências ( sem necessidade de enunciação nominativa), censuraram o pronunciamento do dr. Romildo Bolzan, quando emitiu crítica e anunciou reservas quanto ao papel e posições públicas do ilustre presidente da FGF em acontecimentos envolvendo o clube por ele liderado.
Registre-se que, pela primeira vez, ouviu-se do referido mandatário, algo do gênero. Importa , também, relevar que, há muitos anos, seus sucessivos e inoperantes antecessores não adotavam atitude como essa, inobstante sofrerem os mesmos desconfortos e constrangimentos.
Em primeiro lugar, independentemente das razões por ele empolgadas e de sua correção ou coincidência com as verdades que lhe serviram de lastro, é preciso atentar que Romildo Bolzan é presidente do Grêmio não da Associação Pe. Cacique, do Clube Jangadeiros, da Pia Instituição Chaves Barcelos, de organizações não governamentais e, muito menos, de veículos de comunicação, quiçá da comunidade de seus diletos empregados.
Portanto, manifesta-se pela entidade que comanda e está autorizado a emitir em nome desta o que o mundo gremista pensa sobre os fatos de suporte que lhe são prejudiciais. Foi eleito para isso.
Seu dever é manejar todos os instrumentos de defesa dos interesses da associação, pena de violar o seu compromisso de fé , quando de sua posse no cargo.
A ninguém mais cabe avaliar da conveniência ou não de suas palavras, perante a história, a humanidade em geral, ao Tratado de Varsóvia, à Declaração dos Direitos Humanos ou a imprensa local , viciada na dormência do stato quo desportivo gaudério, há muito reinante em nossa terra ( quando não alienado, escapista).
Certo ou errado, Romildo cumpriu o seu dever.
Afastou os eufemismos e alegorias, tão em prática pelos seus iguais.
A realidade dispensa metáforas.
Finalmente, no Grêmio, um presidente diferente. Um supreendente presidente diferente.
Depois, quanto a alguns dos fatos que produziram, talvez, seu inusitado pronunciamento e as opiniões a respeito deles, que geraram os protestos da referida parcela da mídia, certamente encontram-se alguns realmente surpreendentes , entre eles aqueles tratados como normalidades pelos focas enfurecidos, a serem digeridas bovinamente por incautos desportistas.
Consabidamente , em raras partidas de futebol profissional, das milhares realizadas quotidianamente no mundo inteiro, apitam-se dois penaltys a favor de um só dos contendores, num mesmo jogo. Mais raro ainda , dois penaltys no último quarto do tempo de jogo.
Jogo em que o prejudicado, até então, vencia por dois a zero, com os onze atletas regulares.
Exótico, ainda, é, além das duas penas, nesse exíguo e desesperado tempo, desfalcar-se, por expulsão, um desses atletas da vítima.
E para completar o quadro de excentricidades, constatar-se que o favorecido, nos últimos dez jogos, teve oito dessas penalidades concedidas a seu favor.
E que, por isso, e só por isso, liderava o certame até o desastre iminente.
Contem essa história para um esquimó, e gravem as suas impressões, super sinceras.
Ela geraria desconfiança e suspeição – apenas isso – até acima da Groenlândia.
Independentemente da idoneidade e da honestidade de quem é o responsável pela competição onde tais singularidades surgiram - o que não se duvida - como encarar essa sucessão de fatos com espírito olímpico e com a fé dos apóstolos, escondendo-se num fair-play desprezível , vergonhoso, sem ao menos registrar que tudo isso é, no mínimo anormal, e, por isso, digno de investigação ou explicação ?
Um disco voador passou esses dias pelo Beira-Rio e ninguém iria ou deveria fazer nada ?
E imputar a quem tais fenômenos?
Ao Papa, ao Michel Teló ?
O fato principal não é se foi penalty ou não, a mão na bola ou a bola da mão e as regras a respeito, redigidas em inglês, espanhol ou Esperanto.
Essas, dissecadas, decompostas e esmiuçadas extensiva e repetitivamente pelos departamentos de sábios das respectivas emissoras.
Isso é o que forçadamente, a imprensa comprometida vem fazendo para desviar da questão principal: esse Mundo de Alice, do Mágico de Oz, que inundou as nossas telas na noite de quarta-feira é o real ou estamos todos loucos ?
Se for, acho bom o Grêmio contratar o Darth Vader (!) para representá-lo ou acompanhá-lo na final.