Hiltor
Tudo bem?
Antes de mais nada, gostaria de agradecer a enorme repercussão que você dá ao nosso relatório. Sua coluna é muito relevante na região e muitos colegas nos retornam com comentários sempre que vocês nos cita. Muito obrigado. E quero dizer que estou à disposição sempre que precisar.
Achei muito interessante os pontos abordados em sua coluna de hoje. É uma reflexão que sempre faço, ao avaliar o que vimos no ano anterior com o desempenho do ano corrente. E foi oportuno seu comentário sobre Avaí e Figueirense, porque vai na direção de algo que sempre defendo, que é a definição de Gestão Esportiva. Muitos pensam que trata-se apenas de contratar um Diretor Financeiro e cuidar do caixa, custos e despesas. Entretanto, Gestão Esportiva é muito mais que isso. Além do Financeiro, envolve aspectos Esportivos e Comerciais que usualmente são ignorados pelos analistas. E para apimentar, ainda existe o imponderável, típico do Esporte.
Nesse sentido, é realmente interessante observar o ocorrido com Avaí e Figueirense. No caso do Avaí o clube vinha de um ano financeira e esportivamente ruim, que deve ter sido assim porque fez opções erradas do ponto-de-vista esportivo que acabaram por deteriorar o financeiro. Como é um time que chamamos de “regional”, trabalha muito no ano-a-ano, não é possível fazer planejamento de longo prazo, e tem receitas bastante inferiores aos times “nacionais”. Assim, quando resolve ousar e montar elencos acima das possibilidades – impacto financeiro – ou suas opções de montagem de elenco não surtem efeito – impacto esportivo – a coisa desanda e o clube não obtém o resultado esperado. Isto quando as duas possibilidades não ocorrem concomitantemente, pois monta elenco errado e caro! Daí é o caos. Em 2016 ainda não é possível afirmar o que houve no Financeiro, mas o Esportivo se comportou muito bem.
No caso do Figueirense o sucesso parecia se dar por conta de boas decisões esportivas lastreadas em custos controlados. Em 2016 o Esportivo não funcionou, seja pela montagem equivocada do elenco, seja por escolhas equivocadas de treinadores. Mas não sabemos qual o impacto no Financeiro. É sempre um problema isso, porque o financeiro está muito descolado do esportivo em termos de divulgação da informação. Afinal, o clube sobe ou cai muito antes da divulgação dos números, não é mesmo?
Observando os dois casos é possível notar que a diferença, sem conhecer o Financeiro, se deu no Esportivo. O importante é que o Financeiro não tenha sido aviltado para isso. Porque é uma dinâmica comum dos dirigentes destruir o Financeiro em busca de resultado Esportivo. Não sei nem posso afirmar que é o caso do Avaí e do Figueirense, mas é recorrente no Futebol Brasileiro.
Enfim, quero agradecer ter levantado este ponto, que é muito relevante e passa desapercebido pela imprensa de modo geral. E espero ter contribuído no aprofundamento do debate. Novamente, estou à disposição caso necessite de algo. Obrigado pelo espaço e parabéns pelo excelente trabalho.
Abraço. Cesar Grafietti | Crédito Itaú BBA
Os tópicos referidos por Cesar Gracietti são estes abaixo
Dinheiro I
O Itaú BBA de 2016 dizia, sobre o Avaí, que “em 2015 o clube parece ter errado a mão. Mesmo com o aumento de receitas, abusou na gestão de custos e despesas... possivelmente na busca de melhor desempenho na Série A. Mas não obteve êxito...” No entanto, a Avaí subiu nesta temporada.
Dinheiro II
Sofre o Figueirense dizia que “o clube não só precisa manter a boa postura de austeridade, mas reforçá-la, reduzindo investimentos, ajustando fluxo de caixa para evitar ter que recorrer a fontes externas para recompor o caixa, como adiantamentos e novos atrasos...” O Figueirense foi rebaixado.
