Hiltor Mombach

O Inter serve de exemplo para o Inter

O Internacional entra em campo neste sábado para encarar o Vila Nova.
Fará sua penúltima apresentação no Beira-Rio na funesta Série B, onde foi colocado por uma gestão de futebol noviça e neófita que contou com a incompreensível cumplicidade do presidente da instituição, no caso Piffero.
Incompreensível porque Piffero se inscrevera como um dos grandes dirigentes do clube.
Na sua gestão de 2007-10 o time ganhou uma Recopa, foi campeão invicto da Copa Sul-Americana, levantou a Copa Suruga Bank (sim, é oficial) e o bicampeonato da Libertadores, dando sequência à era de ouro iniciada por Fernando Carvalho.
Até os quero-queros de Linha Cafundó sabem que este Inter não está pronto para ser protagonista na Série A em 2018.
Tem equipe de coadjuvante.
Não é preciso ser um Nostradamus para prever isto.
Afinal, jamais disparou bem disparado na liderança da Segundona, onde chegou na 34ª rodada empatado em pontos (63) com o modestíssimo América-MG.
O Inter está no nível do América, Ceará, Paraná e outros que tais.
Sem grenalizar, mas já grenalizando, cinco saaras separam hoje o Inter do Grêmio, para ficar num exemplo doméstico.
Talvez o amigo leitor não fique surpreso com o dado a seguir.
Na 34ª rodada da Série B de 2008 o Corinthians aparecia com 79 pontos, 13 a mais do que o segundo colocado, o Avaí, e 24 na frente do quinto, este mesmo Vila Nova que joga em Porto Alegre.
Recomendo aos atuais dirigentes colorados a leitura ou releitura do livro “De Belém a Yokohama”, de Fernando Carvalho com a participação de Luís Augusto Fischer.
Um dos capítulos leva o titulo “planejar a longo prazo”.
Trecho: “Houve época, no Inter (e noutros clubes, naturalmente), em que se tinha um time por semestre. Contratavam grandes jogadores, aeroporto lotado, estádio com 40 mil torcedores, e depois perdíamos por um gol de diferença e a casa caia.
Futebol não é assim que se faz, na nossa avaliação.
Tem que ter visão a longo prazo, porque as coisas acabam acontecendo”.
O Inter precisa de reforços pontuais na lateral esquerda, miolo da zaga, um volante que saiba fazer a terceira função, o vaivém e atacantes para o caso de vender William Pottker ou não conseguir manter Damião.
Mas, e há sempre um mas de tudo, não de reforços para grupo.
De jogadores de indiscutível qualidade.
Se fizer isto, esta direção poderá até vender o discurso de que está preparando um time para brigar por títulos importantes em 2019, embora o torcedor seja imediatista.
Mas se desembarcarem jogadores de futebol modesto, que mais cabem em times de Série B, o torcedor não aceitará.
O jejum começa a ficar longo demais.
Sobre a partida desta tarde contra o Vila Nova.
Os colorados andam desconfiados e irritados depois da derrota para o Ceará em casa, seguindo de um empate contra o CRB, também no Beira-Rio, e de uma péssima atuação fora contra o Luverdense, naquele 2 a 2 com as calças na mão.
Porém, não há alternativa.
O negócio é ir ao estádio e apoiar o time desde o começo.