Hiltor Mombach

O jogador que virou um craque da medicina

Hoje, Dr. Marcos Dall'Oglio. Ontem, um respeitado jogador de futebol do Internacional.

Hoje, Dr. Marcos Dall'Oglio. Ontem, Marquinhos. Hoje, um respeitado especialista em urologia oncológica e cirurgia robótica. Ontem, um respeitado jogador de futebol do Internacional.
Marquinhos atuou no Inter nos anos 80 ao lado de nomes como Taffarel; Luiz Carlos Wink, Pinga, Aloísio, Tita... Teve uma carreira curta, pois aos 24 anos ingressou na universidade para estudar medicina. 
Sobre Pinga e Aloísio: foi uma das melhores duplas de área que este colunista viu no Inter. 
A coluna de hoje traz trechos de capítulos do livro “Da Bola ao Bisturi, a História do Jogador do Inter Que Virou Um Craque na Medicina”. Lançamento na Feira do Livro no dia 12 de novembro às 17h e no Beira-Rio no dia 16/11 sem horário confirmado.
MONSTROS SAGRADOS
Nos meus sonhos de criança um dia me tornaria jogador graças a um destino traçado e sem escapatória. Meus primeiros grandes ídolos foram os jogadores do Inter. Em lampejos da memória infantil, a narração vibrante da Rádio Guaíba, as defesas dos goleiros Gainete e Schneider, mais os craques da “linha” Bráulio, Carbone, Dorinho, Tovar, Valdomiro e Claudiomiro.
Tinha outro jogador que eu amava, era o meia-direita Escurinho, nem sempre foi titular, mas sempre foi decisivo, como em muitos Gre-Nais pois saía do banco para resolver. Sua declaração foi inspiradora: “Eu não sentia as escadas do túnel, alguma coisa estava me levando, esta bola vai ter que parar dentro do gol, porque representa o trabalho de todo um grupo”. Sintetizou um dos maiores cabeceadores da história do futebol. Inter de 1975.
O INTER DE 1975
Foi a partir do time Campeão Brasileiro de 1975 que algo muito forte dentro de mim começou a direcionar o meu futuro. O escrete fantástico tinha Manga; Schneider, Cláudio, Valdir, Figueroa; Hermínio, Vacaria e Chico Fraga; Caçapava, Falcão e Paulo César Carpegiani; Valdomiro, Flávio Minuano e Lula; e ainda o saudoso “Escuro” (Luiz Carlos Machado), talismã colorado. Hipnotizado, eu acompanhava pelo rádio, ia fazendo os recortes dos jornais e colava em um caderno de desenho com folhas grandes, ali, adicionava as “minhas” manchetes. A imprensa só começou a respeitar o Inter após o time derrotar, em pleno Maracanã, o Fluminense, aclamado como “A Máquina”, com Zé Mário, Rivelino e Paulo César Caju, entre muitos outros imortais. Antes desse jogo, o técnico do tricolor, Didi, campeão do mundo em 58 e 62, deu entrevista dizendo que o Inter deveria se cuidar para não ser goleado, relembrou certa vez o técnico colorado Rubens Minelli com uma pontinha de ironia.
Caçapava entrou no lugar do Escurinho para tentar conter o grande Rivelino. Conta Falcão que tentou ensinar o volante marcador a conter o famoso drible “elástico”: “Na primeira tentativa do meia cerebral, o Caçapa deu no meio do Bigode. Lula e Carpegiani marcaram os gols, 2 x 0.” “Colocamos areia na máquina”, resumiria Carpegiani. “Hoje, o Inter tem títulos mais importantes, mas naquele momento, em 1975, foi fundamental porque abriu as portas para ser o que é hoje”, relembrou Carpegiani muito tempo depois. “O Inter enfrentaria o Cruzeiro, que era um timaço, grande jogo, digno de uma final” resumiu Falcão. O Gigante da Beira-Rio totalmente lotado, o gol “iluminado” de Figueroa, no cruzamento de bola parada pelo sempre fundamental Valdomiro.
“ACHO QUE O ET ERA EU”
Nessa época fui titular da cabeça de área, tendo a defesa com Taffarel; Luiz Carlos Winck, Pinga, Aloísio, Mauro Galvão, todos da Seleção Brasileira. Tinha também os craques selecionáveis da Amarelinha o meia Tita e o ponta-direita Robertinho, ambos vindos do Flamengo. Sem esquecer do uruguaio titular “Celeste Olímpica” Rubén Paz. Ter isso em meu currículo é sensacional, difícil estar num foto com um plantel desses, acho que o ET era eu.