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Patrícia Moreira, 22 anos, a torcedora do Grêmio flagrada ao gritar “macaco” para o goleiro Aranha, do Santos, já foi julgada em primeira instância e condenada por parte da sociedade. A culpa desembarcou instantânea e brutal. O grito desencadeou em alguns uma prodigiosa sanha homicida: Patrícia não merecia nada menos do que o linchamento. Vive-se no Brasil a concorrência pela idiotice: se um estúpido expõe a vida da moça nas redes sociais, outro corre para apedrejar a sua casa. Patrícia pisou na bola, errou feio. Seus vizinhos, que a conhecem, já a perdoaram. Cada um de nós carrega seu momento de bandalho. Só os canalhas não confessam suas culpas. Tento entender sua tragédia pessoal, torcendo para que o vendaval passe. Patrícia entrou na carona das marias que vão com as outras. Foi a Maria da Geral. Sua personalidade fraquejou e ela afundou feito um Titanic. O brasileiro é um fascinado por qualquer julgamento. Mais fascinado quando ele profere a sentença. Patrícia é a ponta flagrada, arrastada pela influência de gestões que engordaram esta torcida. Teremos dirigentes no banco dos réus? Os grupos gremistas que abrigam torcedores useiros e vezeiros em promover atos racistas, transformando-os em conselheiros, estarão no banco dos réus? Ou desconheciam tais fatos? A diferença entre Patrícia e alguns é que ela se envergonha do que fez, enquanto outros se orgulham do que fazem.