Hiltor Mombach

"O maior gângster do mundo" não pode ser comprado por menos de US$ 500 mil.

"O maior gângster do mundo" não pode ser comprado por menos de US$ 500 mil.

Está em www.copa2014.org.br/
O ex-secretário-geral da Fifa Michel Zen-Ruffinen foi gravado sem saber na Suíça por jornalistas do britânico "The Sunday Times" enquanto identificava funcionários desse organismo esportivo cujos votos podiam, supostamente, ser comprados para favorecer determinada candidatura à sede do Mundial 2018-2020.
Zen-Ruffinen, de 51 anos, ofereceu-se, segundo a publicação, para fazer o papel de introdutor dos subornáveis por 210 mil libras (mais de 239 mil euros).
Ex-braço direito do presidente da Fifa, Joseph Blatter, ameaçou o periódico britânico de recorrer aos tribunais para impedir a publicação das revelações, porque na Suíça é proibido gravar uma pessoa ou suas palavras clandestinamente.
Os repórteres fizeram-se passar por um lobby de empresas dos Estados Unidos com interesse de que seu país recebesse a Copa do Mundo de Futebol.
Na reunião, realizada em um restaurante às margens do lago Leman, Zen-Ruffinen explicou que os membros do comitê executivo eram subornáveis com dinheiro e até mesmo com prostitutas.
Descreveu um dos membros do comitê como "o maior gângster do mundo" e disse que este não poderia ser comprado por menos de US$ 500 mil.
Zen-Ruffinen chamou a atenção para o nigeriano Amos Adamu, membro do comitê executivo que foi gravado no Cairo no mês passado oferecendo seu voto em troca de 571 mil euros para um projeto pessoal de construir quatro campos de futebol.
O ex-secretário geral da Fifa contratou um intermediário para sondar outros três membros do comitê e saber se estariam dispostos a dar seu voto a uma candidatura.
Ele confirmou que o intermediário estava convencido de que podia "com toda segurança convencer" um dos membros do comitê.
A última reunião de Zen-Ruffinen com os repórteres do "The Sunday Times" ocorreu em Londres.
Segundo Zen-Ruffinen, Espanha, um dos principais rivais da candidatura da Inglaterra para o Mundial de 2018, havia forjado uma aliança com o Catar, candidata para 2022.
Os países tinham sete membros dispostos a votar em ambas as candidaturas.
O comitê de ética da Fifa revelou na semana passada que estava investigando a existência de uma suposta aliança, embora não tenha revelado do que se tratava.
Catar negou as acusações e a Espanha não quis comentar antes da conclusão da investigação, diz o periódico.
Na semana passada, Zen-Ruffinen garantiu que se opõe aos subornos, que só se ofereceu para apresentar os membros do comitê e que havia "exagerado" para despertar o interesse do lobby.