Sou do tempo em que o vice de futebol precisava entender de futebol e saber de cor e salteado o mercado de jogadores. É verdade que muitos eram dependentes da revista Placar e só contratavam depois de conferir o ranking do Bola de Prata.
Hoje, as dicas são dadas pelos assessores. Checar ficou fácil. Basta um clique na internet. Percebo uma mudança gradual na função do vice de futebol. É mais política. Siegmann foi vítima da autonomia. O vice funciona como um elo entre o presidente e a comissão técnica. Teve seu poder reduzido. Mesmo com toda sua influência, Anápio esbarrou em Luigi. Entra Luciano Davi, que talvez seja a personificação do moderno vice de futebol.
Neste quadro, Fernando Carvalho surge como um vice de futebol jurássico, um legítimo 3 em 1: ele era olheiro das categorias de base, e dos melhores, assistia a todos os jogos pela televisão e costurava as transações. Fernando Carvalho gostava, e muito, do que fazia.
O Grêmio de Paulo Odone descarta a figura do vice de futebol. Quem toca o departamento é um diretor remunerado, Paulo Pelaipe, que presta contas diretamente a Odone. O último vice de futebol, Antônio Vicente Martins, não afinava politicamente com o presidente.
