Dia 29 de novembro. Termina Lanús 1 x 2 Grêmio.
Festa gremista do estádio La Fortaleza, na Argentina, pela conquista do tri da Libertadores.
O clube gaúcho havia vencido por 1 a 0 na Arena.
O experiente Muricy Ramalho, hoje comentarista, opina ser melhor o curto espaço entre a decisão da Libertadores e a estreia do Grêmio no Mundial de Clubes em Abu Dabi, 12 deste mês. Apenas 13 dias.
Justificativa: o time jogaria embalado pelo tri, entrosado. Concordei.
Discordei em parte depois de ouvir a opinião de Nestor Hein, diretor jurídico do Grêmio.
O time jogou no dia 29, os jogadores fizeram festa no retorno e a viagem para Abu Dabi aconteceu na quarta-feira, dia 6. Lá terá que superar o cansaço e fazer adaptação ao fuso horário em cinco dias.
Há outro fator, este de outra ordem.
Caso o time tropece no primeiro jogo, dia 12, estará fora da final. Seria colocar água no chope do tri da Libertadores.
Ainda mais num estado que respira grenalização.
Dia 16/08/2006, Beira-Rio.
Ao empatar contra o São Paulo o Inter conquistou sua primeira Libertadores.
O Mundial só seria disputado em dezembro.
Os colorados tiveram quatro meses de intensa comemoração, que prosseguiu depois com a vitória sobre o Barcelona no Japão.
Dia 8/08/2010.
O Inter vence o Chivas por 3 a 2 no Beira-Rio e fica com o bi da Libertadores.
O torcedor festejou até 14 de dezembro, quando surpreendentemente o time perdeu para o Mazembe por 2 a 0 em Abu Dabi, jogando chope na água da Libertadores e dando oportunidade para a torcida do Grêmio criar o Mazembaço.
Que motivos levaram o Inter a ir bem contra um Barcelona, por exemplo, e cair diante de um Mazembe?
Lembrando que nas duas oportunidades havia um longo espaço de tempo entre a Libertadores e o Mundial.
Respondo. Em 2006 a preparação começou durante o Brasileiro. O Inter foi ligado para o Japão, cuidando de todos os detalhes, inclusive realizando treinos pela noite no Beira-Rio com a grama molhada.
Isto não aconteceu em Abu Dabi. Em 14 de dezembro de 2010 postei o seguinte no meu blogue:
“O Inter sacrificou um Brasileiro pelo bi Mundial. Mandou desembarcar Tinga e Sobis do exterior. Arrastou seis, sete mil colorados até Abu Dhabi. E viu o sonho do bi transformado em pesadelo em 90min. O futebol é feito de surpresas.
Todos sabem. Algumas maiores do que outras.
Umas carregam o rótulo de fiasco. A derrota por 2 a 0 para o Mazembe merece figurar entre estas.
Não se chega onde o Inter chegou para cair no primeiro jogo.
Talvez o Inter tenha perdido a chance do bi Mundial antes mesmo de desembarcar, quando imaginou que despertaria seus jogadores, adormecidos no estaleiro durante o Brasileiro, num estalar de dedos.
Focados em Abu Dhabi, esqueceram que competir é a melhor forma de preparação. Das verdades mais absolutas: a zebra é africana e anda de preto e branco.”
Neste aspecto, o Grêmio vai melhor.
Os jogadores atuarão embalados por uma taça.
