Hiltor Mombach

O papel do diretor esportivo

Certa feita alguém disse que o futebol brasileiro só evolui do túnel para dentro do campo. Chegou a ser uma verdade. Hoje é a mais escancarada mentira. Paramos no tempo. Fomos atropelados até pelos ortodoxos alemães, que de ortodoxos não têm mais nada. Os 7 a 1 da Copa do Mundo deixou claro o abismo técnico e tático. Não passa de balela o rótulo de que somos o país do futebol. Neste ritmo seremos atropelados pela Bolívia um dia.
O Itaú BBA publicou vai algum tempo um relatório que levou o nome de “análise econômico-financeira dos clubes de futebol brasileiros de 2015 /dados financeiros de 2014”. Um dos capítulos do estudo é sobre o “papel do diretor esportivo”. Trecho.
“É o cargo mais importante dentro da estrutura técnica do clube. Esta função exige conhecimento profundo do esporte, das categorias de base às mais avançadas estruturas táticas utilizadas na Europa. Além disso tem que ter capacidade de gestão de pessoas, pois irá lidar não apenas com o sucesso, mas com as crises dos grupos de atletas. A principal função é congregar as atividades profissionais e amadoras, de forma que o clube tenha uma diretriz única.
Por exemplo, o gestor esportivo deve definir as metas básicas de desempenho e fazer o acompanhamento dos resultados de campo, vis-à-vis o que é apresentado nos treinamentos. Sua função é avaliar se o que tem sido mostrado nas partidas está aderente aos treinamentos, de forma que possa cobrar pelo desempenho da comissão técnica e também dos atletas. Para isto, o uso de estatística e acompanhamento do que se faz em treino e nos jogos é fundamental. Afinal, há que se entender porque um zagueiro falha tanto nas coberturas, porque um lateral deixa buracos na defesa, porque um meia aparece pouco na área e porque um atacante finaliza mal e pouco. Assim, cobra-se o treinador e o atleta, com dados.”
Por aqui, a condição sine qua non para ocupar tal cargo é ser amigo do presidente. Também conta ter ajudado em campanhas políticas e aceitar resignadamente a condição de subalterno. Por aqui confunde-se profissionalismo com remuneração.