Hiltor Mombach

O perigo da euforia

Final de primeiro tempo.
O Grêmio passeava em campo e aplicava 3 a 0 no Aimoré.
Quando os times saíam de campo, o repórter se aproximou de Lucas Silva e perguntou se havia chance de reverter:
“Somos treinados para não desistir nunca”.Ainda peguei o tempo em que Grêmio e Internacional também treinavam para não desistir nunca.
Hoje, o Gauchão ainda serve como laboratório para a dupla, se é que o senhor me entende. Para observar jogadores da base ou azeitar o time para uma competição mais importante, no caso do Grêmio a Libertadores.
Grêmio e Inter não têm culpa se os rivais estão mais desqualificados a cada ano. O Inter tem 100% de aproveitamento jogando com o time sub-23.
E os piás do Grêmio só perderam para o Zequinha num jogo atípico, com temperatura de 60º no gramado sintético.
Obviamente, e as obviedades também devem ser ditas, Enderson não irá tirar conclusões definitivas sobre os 4 a 0.
Os gremistas sensatos, também não.
Acho que nem os mais passionais se entusiasmam com goleadas aplicadas pelo time principal.
Há um filme que vem se repetindo todos os anos.
Quem arrasa no Gauchão, se acha pimpão para o que der e vier.
Chegam as competições importantes e é aquele tombo.
Se os 4 a 0 sobre o lanterna Aimoré serviram para dar algum entrosamento ao time, já está de bom tamanho.
Porque, para mais do que isto, não serviram.