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A Polícia Federal prendeu nesta semana um grupo que preparava atos de terrorismo no Brasil em uma operação deflagrada a 15 dias da abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro. Quando há uma competição importante em qualquer lugar do mundo, há sempre ameaça. Cobri seis Copas e seis Olimpíadas, vários Pan-Americanos e cobria a Copa América quando a competição valia alguma coisa. Vai algum tempo escrevi sobre o assunto, sempre atual quando se aproxima um evento da magnitude de uma Olimpíada. Reproduzo. O pior terrorismo é o terrorismo do noticiário. Desembarquei na Grécia em 2004 anos sabendo que a Grécia havia investido mais de 1,8 bilhão de dólares para proteger os Jogos de Atenas, o primeiro a ser realizado depois dos ataques feitos em 2001 pela Al-Qaeda contra os EUA. Viajei para Pequim em 2008 com ameaças de grupos terroristas. Explica-se: mais de 10 mil jornalistas do planeta inteiro estariam na China. É a forma de chamar atenção, de ter mídia gratuita. As manifestações pró-Tibete atrapalharam o périplo internacional da tocha olímpica e fizeram aumentar a preocupação com a possibilidade de pessoas usarem a competição para marcar uma posição contra o país. Nunca levei muito a sério tais ameaças, mas, e há sempre um mas em tudo…. Nos Jogos de Atlanta o terror ameaçou e atacou. Uma bomba explodiu no dia 27 de julho de 1996 no Centennial Park, o parque temático da Coca-Cola, ferindo cerca de 150 pessoas e matando duas. Eu havia previsto o ato terrorista aqui mesmo, no Correio do Povo, três dias antes. Todos os dias eu passava pelo Centennial Park para chegar até o Centro de Imprensa. Ali se aglomeravam milhares de pessoas sem serem revistadas. Na noite da explosão eu estava hospitalizado. Mas este não foi o único fato a manchar os Jogos. Dois dias antes de começar a Olimpíada, explodiu um avião Boeing 747-100 da TWA, perto de Nova Iorque, matando 230 pessoas. Foi admitida a possibilidade de ter ocorrido um atentado terrorista. HOSPITALIZADO - Quinta-feira, 26 de julho de 1996. Estou no metrô de Atlanta me dirigindo ao Centro de Imprensa para mais um dia de cobertura dos Jogos Olímpicos. Assim, sem mais nem menos, tenho a impressão de ter rompido tíbia e perônio, tamanha a dor na perna. Sinto calafrios. Mesmo assim, trabalho. À noite, não podendo resistir à dor, sou levado por Marsha Peterson, nossa querida guia norte-americana, ao hospital Georgia Baptist. O doutor Melton exige minha internação. Justifico ter que seguir minha cobertura. No dia seguinte, retornaria. Para ficar. Retornaria, levado pelo filho do doutor Eduardo de Rose, porque me garantem ser o Georgia Baptist o hospital da família olímpica, ou seja, dos que possuem a credencial oficial. A enfermeira-chefe Zoila Calas confirma. Fico no térreo, numa cama destas com rodinhas. Aplicam-me uma agulha em cada braço. Em menos de 5min, alguém retira as agulhas e sai em disparada pelo corredor gritando ’uma bomba, uma bomba’. Entra com minha cama no elevador e eu, desesperado, mando que ele saia do hospital. Se tem uma bomba ali, o melhor lugar é lá fora. Ele me explica que havia explodido uma bomba no Centennial Park e que 57 das mais de cem vítimas estavam sendo conduzidas para o Georgia Baptist. Sou instalado no quinto andar, num quarto todo envidraçado. Ali vejo a movimentação dos helicópteros e sou informado pelos enfermeiros do estado das vítimas. Entro no ar na Rádio Guaíba, onde falo das 2h até as 7h. Ficaria hospitalizado cinco dias. MEDO DE AVIÃO - Lembro de um outro momento de pânico, este, porém, sem nada a ver com qualquer ato terrorista. Cobri, ao lado dos queridos companheiro Carlos Corrêa, Diego Vara, Rodrigo Koch e Ernani De Lorenzi Campelo, os Jogos Pan-Americanos do Rio em 2007. Os Jogos aconteceram de 13 a 29 de julho. Na noite do dia 17 de julho um avião da TAM com 176 pessoas a bordo derrapou na pista do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, atravessou a Avenida Washington Luís e bateu em um prédio de carga e descarga da companhia aérea. Tenho medo de avião. O amigo leitor pode imaginar como foi a volta. Ora eu fingia que lia um jornal, ora um livro, ora fingia que dormia...Tudo na tentativa de esconder o pânico que tomava conta. Foi assim do embarque, no Rio, até o pouso. Minha intuição é de que todos que estavam naquele voo padeciam do mesmo medo. AMEAÇA - O Brasil tem que levar a sério qualquer ameaça de terrorismo. Não estamos na mira o EI (Estado Islâmico), não vivemos o drama da Síria e do Iraque, mas o terror, cada vez mais, espalha seus tentáculos pelo mundo. Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, o franco-tunisiano de 31 anos que matou 84 em Nice, na França, não era fichado pelos serviços secretos por terrorismo ou radicalismo. Com a notícia de que um grupo de dez suspeitos planejavam atos terroristas nos Jogos do Rio começou o pior terrorismo, que é o terrorismo do noticiário. Quantos deixarão de vir ao Brasil por isto?