Seguindo o rastro de uma máxima do idealizador do comunismo Karl Marx, que dizia que a religião é o ópio do povo, o genial Nelson Rodrigues acusava os esquerdistas modernos de acharem que o futebol, sim, era o ópio do povo.
Não sei se foi Nelson Rodrigues a cometer a frase de que o futebol é o ópio do povo. Sei que o futebol monopoliza a atenção de bilhões de pessoas e muitas vezes já foi utilizado por governos. Nos anos de chumbo surgiu a estratégia do “onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional.”
O debate futebolístico provoca nas pessoas uma inaceitável e cega instabilidade emocional. Surgimos alienados, entorpecidos, diante da divisão de opiniões. No futebol, mais do que em qualquer outro setor, vingam dois ditados, o "cada um por si, Deus por todos" e o "show tem que continuar". No futebol existe a empatia apenas no discurso. A verdadeira e honesta solidariedade vai para as cucuias.
Eis que, com o Rio Grande do Sul mergulhado no caos, lembrando "O Fim do Mundo", livro de Otto Friedrich, ou Colapso, Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso", de Jared Diamond, o futebol, o ópio do povo, voltará às manchetes nesta terça-feira com o confronto entre Inter x Belgrano pela Sul-Americana. Será na Arena Barueri.
Pueril, volta e meia me comovo com discursos de que somos todos irmãos, estamos no mesmo barco. Não estamos. No momento há dois barcos, um literal, que vem salvando vidas no oceano em que foi transformado o Rio Grande do Sul, e o outro, o barco que veleja tranquilo em águas serenas, onde estão, entre outros, o presidente da funesta CBF.
Quarta-feira tem Grêmio x The Strongest, no Couto Pereira, pela Copa Libertadores da América.
Em função da desigualdade de condições entre os times, principalmente os do Rio Grande do Sul depois da tragédia das enchentes, Renato sugeriu que não houvesse rebaixamento no Brasileiro. O presidente da funesta CBF, Ednaldo Pereira, cometeu uma discurso patético.
Disse que ser impossível porque a CBF cumpre integralmente as leis e os regulamentos, que que a FIFA determina que as competições sejam de acesso e descenso e coisa e tal.
A declaração partiu de um cartola que foi afastado do cargo em 7 de dezembro de 2023 por decisão do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro). Pesavam contra ele, entre outras coisas, acusações de mau uso dos recursos da funesta. Ele cumpriu a sentença? Nada disto. Está no poder graças a uma liminar do ministro Gilmar Mendes.
Dá para levar a sério a funesta, entidade comandada por uma dinastia que teve no poder Ricardo Teixeira e Marco Polo del Nero, que figuraram na lista vermelha da Interpol, José Maria Marin, que andou pela prisão domiciliar em Nova York e Rogério Caboclo, suspenso do futebol por denúncias de assédio moral e assédio sexual? O espanto aumenta quando penso que os clubes aceitam ir a roboque desta entidade malcheirosa.
Ontem, ficou decidido que CBF vai usar data Fifa e inversão de mandos para recuperar jogos atrasados da Série A do Brasileiro.
Do presidente do São Paulo, Casares, sobre a sugestão que não haver rebaixamento:
"Nem os clubes do Rio Grande do Sul colocaram essa possiblidade". Óbvio que não colocariam. No domingo o presidente da funesta descartou esta hipótese por completo.
O show tem que continuar. Os clubes gaúchos que se virem
No futebol, mais do que em qualquer outro setor, vingam dois ditados, o "cada um por si, Deus por todos" e o "show tem que continuar". No futebol existe a empatia apenas no discurso.
