Hiltor Mombach

O silêncio do Inter

Trecho da sentença da juíza Luciana Piovesan, de São Paulo:
"Na hipótese dos autos, porém, o objeto da discrepância entre as mensagens eletrônicas analisadas, vale dizer, a supressão dos cabeçalhos, poucas palavras, nomes e frases, não fez alterada a compreensão da situação do atleta, não causando qualquer dano a quem quer que seja.
Escreve ainda:
”É bem evidenciado pelo conteúdo das mensagens trocadas que a transferência do atleta (Victor Ramos) se daria com a observância das regras para transferência internacional”. A CBF sustentou, com respaldo do STJD, tratar-se de uma transferência nacional.
Victor Ramos pertencia ao Monterrey do México e estava sob contrato de empréstimo ao Palmeiras quando da negociação com o Vitória.
Pela sentença da juíza, o Vitória escalou o jogador em situação irregular no Campeonato Brasileiro de 2016.
Este fato poderia ter evitado o rebaixamento do Internacional para a Série B.
Pela sentença, está evidente que o Inter foi prejudicado.
Como havia sido prejudicado no Brasileiro de 2005.
Nem espernear o clube vai.
Terá que digerir o fato, novo, em silêncio.
Um dos orgulhos da instituição era pertencer ao seletíssimo grupo dos times que jamais haviam caído.
Jogou a Série B, perdeu um dinheirão, prestígio, viu aumentar a inadimplência e o déficit (escondido na Segundona não vendeu jogador) e sofreu um dano moral irreparável.
Mas terá que calar.
Em 2005, berrou e sofreu ameaça de desfiliação pela Fifa, obviamente atendendo pedido da CBF.
Como peitar a CBF na reta final de um Brasileiro onde tem chances de levantar o caneco?
É possível que se manifeste depois do campeonato.
Possível, apenas.
Digerir um fato deste tamanho em silêncio apenas escancara a subserviência dos clubes brasileiros, intimidados por uma CBF cujos três últimos ex-presidentes (Del Nero, Marin e Teixeira) carregam uma extensa lista de acusações de todos os tipos.