Hiltor Mombach

O sol como testemunha

Confessamos há anos o nosso complexo de vira-latas, eternizado por Nelson Rodrigues.
Padecemos da síndrome do coitadismo, vamos a reboque de uma das Leis de Murphy:
“Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.”
A certeza do fracasso da Copa no Brasil virou instituição nacional.
Impressionava a quantidade de brasileiros convictos de que seria um retumbante fracasso.
Coitadismo tipo exportação.
A maior e mais importante revista da Alemanha, a Der Spiegel, fez uma previsão sombria sobre o Mundial no país do futebol.
Com o título “morte e jogos”, trouxe em sua capa uma imagem de uma bola em chamas caindo sobre o Rio de Janeiro. Até aqui, as cartomantes do apocalipse quebraram a cara.
Feio.
Numa palestra na Fisul, em Garibaldi, fiz frase que soava com uma sentença:
“Se tudo der certo nesta Copa, estará provado que Deu é brasileiro.
E mais: que é do PT.”
Porque quando da palestra a Copa tinha tudo para dar errado.
O país pagaria um mico e Dilma perderia prestígio político.
Até aqui, a Copa tem funcionado como ótimo psiquiatra, nos aliviado da síndrome do coitadismo.
Em Porto Alegre, o sucesso é absoluto.
Com o sol como testemunha.
Não choveu nos três jogos do Beira-Rio e, em dois, o “Caminho do Gol” foi percorrido com o sol brilhando, como quem abençoa a cidade lotada de turistas.
Até o sol conspira a favor da Copa na capital dos gaúchos.
E, se o gol é a alegria do futebol, quem foi ao Beira-Rio só tem a comemorar: França 3 x 0 Honduras, Holanda 3 x 2 Austrália e, ontem, Argélia 4 x 2 Coréia do Sul.
Mas a Copa ainda reserva desafios.
O maior deles para esta quarta-feira. Se Porto Alegre sobreviver à invasão dos argentinos, sempre bem-vindos, com exceção dos barrabravas, ninguém mais duvidará da música que diz “Deus é Gaúcho, de espora e mango, foi maragato ou foi chimango....”