Amigos, recorro a um texto de Nelson Rodrigues para falar deste Internacional.
"Outro dia, morreu Assis Chateaubriand. Disse “outro dia” e preciso fazer uma correção de tempo. Em verdade, morrera antes, muito antes de ser enterrado. Aquele homem chumbado à cadeira, entrevado, de riso torto, não era o Chateaubriand, era o anti-Chateaubriand, a negação do Chateaubriand."
Eis que abro o site do Internacional e leio, estupefato: "O Sul tem dono!" Até onde a geografia alcança, o Sul compreende Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Vou restringir aqui o Sul ao Rio Grande do Sul.
Desde 2016 o Inter não é dono de nada. Não é dono de nada no Rio Grande do Sul, no Sul, no Brasil, na América do Sul e no Mundo. Nos últimos três anos se apropriou de fracassos e fiascos.
Este Inter chumbado ao nada é a negação de um outro Inter, aquele campeão de tudo. Amigos, finalmente conhecemos o fundo do poço. Para ser dono do Sul basta vencer um Gre-Nal. Obviamente estou falando dos 3 a 2 do último clássico.
A fanfarronice da manchete "o Sul tem dono!" contrasta violentamente com os fatos.
Movido por desejo absurdo de redescobrir o fogo, pelo desejo incontido de sepultar qualquer resquício do carvalhismo, o Inter vem se autoaniquilando. Se queriam descobrir fogo, conseguiram. Ele é gelado, como a roda é quadrada.
Até os quero-queros de Barão sabem que desde 2018 o Grêmio é o dono do Rio Grande do Sul. Também pode se jactar de na última década ter sido dono do Brasil (Copa do Brasil de 2016) e da América do Sul (Libertadores de 2017).
Este novo Inter, campeão da nada, é o anti-Inter, a negação do Inter campeão de tudo. Este novo Inter se alimenta das redes sociais, de fakes, de influenciadores. Este Inter chumbado ao fracasso não é o Inter. Não o Inter que o torcedor merece.
