Hiltor Mombach

O VAR ou o boteco

Na imensa, e bota imensa nisso, maioria das vezes, a utilização da imagem impediu que gols ilegais fossem validados

Por CARLOS CORRÊA

A reta final dos campeonatos estaduais, assim como de várias competições importantes na Europa, trouxe exemplos dos mais diversos do uso do auxílio da arbitragem de vídeo, o nosso querido VAR. 
Na imensa, e bota imensa nisso, maioria das vezes, a utilização da imagem impediu que gols ilegais fossem validados. 
Mas mesmo com a justiça tendo sido feita, inacreditavelmente, o que veio em seguida foi um debate caloroso sobre a validade ou não do VAR no futebol. 
Com pequenas variações, o argumento de quem defende que é preciso voltar atrás e abrir mão do auxílio de vídeo é que (1) ele está acabando com a emoção no futebol e (2) alguns erros continuam sendo cometidos pela arbitragem. 
É fácil acabar com ambos e vamos começar pelo final. Sim, erros seguem sendo cometidos, mas diminuíram e muito. 
De mais a mais, se equívocos ainda existem, que se melhore a qualidade da arbitragem e não que se dê um passo atrás. 
Quanto à falta de emoção, desculpa, mas se esse é o melhor argumento, então não há argumento. 
Para ficarmos em dois exemplos próximos. 
Pergunte a qualquer torcedor colorado se ele gostaria que existisse o VAR em 2005 para que aquele erro de Márcio Rezende de Freitas no jogo contra o Corinthians, decisivo para que o Inter perdesse o título do Brasileirão, pudesse ter sido corrigido na hora. 
Ou então pergunte a qualquer gremista se ele não veria com bons olhos a existência do auxílio de vídeo lá em 1996, quando Jardel, em posição legal, cabeceou para fazer o que seria o terceiro gol do Grêmio diante do Palmeiras em uma disputada semifinal da Copa do Brasil e que foi erroneamente anulado pelo bandeirinha. 
“Ah, mas o torcedor comemora e depois o gol é anulado, isso tira a emoção”. A
migo, se esse é o preço a se pagar para que injustiças não sejam cometidas, convenhamos que nem é um preço caro. 
De resto, se a intenção é manter a polêmica no dia seguinte, bem, desculpa, mas aí a preocupação deixa de ser o futebol em si e passa a ser o bate-boca no boteco. E não dá para cobrar profissionalismo e ao mesmo tempo dar uma de varzeano.