Hiltor Mombach

O VAR vê aquilo que quer ver

Juiz viu gol do River que levaria a decisão para os pênaltis. VAR mandou anular

A Conmebol divulgou os áudios do VAR do confronto entre River Plate e Vélez Sarsfield. 
Terminou sem gol.
Como o Vélez de Medina havia vencido o primeiro jogo por 1 a 0 passou para as quartas de final da Libertadores.
O potente River caiu em casa.
Com polêmica, obviamente.
Teve um gol de Matías Suárez anulado por um suposto toque de mão aos 34min finais.
Validado, levaria a decisão da vaga para as penalidades.
A arbitragem de vídeo ficou por conta do brasileiro Rafael Traci e Braulio Machado.
O lance foi repetido cerca de 50 vezes até a anulação.
Isso mesmo, quase 50 vezes. 
Repetiram tanto que convenceram o árbitro Roberto Tobar a anular.
Ábirtro que disse "para mim é gol".
Não vai muito o mesmo Rafael Traci atuou no VAR e chamou o árbitro Savio Pereira Sampaio para revisar um possível pênalti para o Internacional contra o Botafogo. 
A penalidade foi marcada e gerou polêmica. 
Tanta polêmica que Traci foi retirado da escala do clássico entre São Paulo e Palmeiras.
De uma coluna recente.
O VAR chegou como uma solução divina: estava encerrada a era da interpretação, do dedo humano.
Pois segue dominado pelo olhar vesgo e parcial de muitos assopradores de apito a analistas.
Vemos gols sendo anulados ou confirmados em lances quase idênticos. 
A cólera do torcedor não se dá por considerar seu time prejudicado pela tecnologia. Seguimos com a forte impressão de que nada mudou, de que continuam privilegiados os interesses.
Havia a expectativa de que, com o VAR, estava sepultado o tempo da imparcialidade e neutralidade. 
Terrível engano. 
Por trás da tecnologia, da máquina, segue o homem. 
Quando manipulado, o VAR vê aquilo que quer ver. 
Quando não vê na hora, busca até encontrar aquilo que quer enxergar.
Quando não quer vê, se faz de cego. 
Este é o nosso sentimento. 
Por isso a decepção de quem gosta de futebol. Na cabeça de cada assoprador de apito mora uma sentença. 
A completa ausência da padronização nos faz suspeitar ainda mais. 
A tecnologia nos deu uma falta sensação de transparência. 
Segue tudo como dantes no quartel de Abrantes