Hiltor Mombach

O velho assunto, de novo

Nesta semana a Copa do Mundo entra na fase de mata-mata, embora na etapa de grupos é matar ou morrer, tanto que seleções campeãs mundiais vão chegar à terceira rodada eliminadas.
Falar em mata-mata me faz lembrar os tempos em que o Campeonato Brasileiro tinha mata-mata.
Bons tempos aqueles.
Todos sabem que sou favorável ao sistema mata-mata e sei que estou na contramão da maioria.
Como bairrista convicto, quero ver outra vez um time gaúcho campeão.
Quero uma fórmula que imite o Brasil: quanto mais injusta e formulista, melhor!
Todos sabem que querer não é poder e que vou ficar querendo.
Quero uma fórmula tão injusta quanto à distribuição das cotas da TV, onde os apadrinhados levam R$ 100 milhões/ ano e o resto a metade ou menos do que isto.
Os três oceanos que separavam Inter e Grêmio dos preferidos da TV no quesito financeiro foram transformados em dez. E chamam este disparate de igualdade!
Quero uma fórmula de Brasileiro que imite a fórmula da TV na escolha dos jogos transmitidos ao vivo: perversa com a maioria, protetora de Flamengo e Corinthians.
Este Brasileiro é desigual até na distância. Uma das edições foi disputada por seis times paulistas: Corinthians, Santos, Palmeiras, São Paulo, Barueri e Santo André. Enquanto as equipes dos demais estados se esbagaçavam em viagens massacrantes, os de São Paulo faziam turismo doméstico.
O sistema de pontos corridos foi aprovado em dezembro de 2002.
De lá para cá o Inter empilhou títulos no mata-mata, entre eles duas Libertadores, um Mundial/Fifa e uma Sul-Americana. Aqui, acontece um fenômeno notável.
Até então bambambã em mata-matas, o Grêmio viu ruir a sua reputação desde 2002, mais por culpa do caso ISL.  Com apenas dois clubes grandes, Inter e Grêmio, o RS conquistou dez títulos nacionais (Brasileiro e Copa do Brasil) até 2003, média de cinco para cada clube. Os quatro grandes de São Paulo (Palmeiras, Santos, Corinthians e São Paulo) haviam conquistado 17, média de 4,25 por clube; os quatro do Rio (Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo) 15, média de 3,75 e os dois grandes de Minas, Cruzeiro e Atlético, cinco, 2,5 cada.
Na era dos pontos corridos, não faturamos  nenhum Brasileiro e lá se vão 11 edições. Vimos SP levantar seis taças, RJ três e MG, duas.
Previ que não veremos um gaúcho campeão  nos próximos 100 anos com esta fórmula.
Faltam 89.