Hiltor Mombach

O velho Grêmio. De novo

Começo com uma frase de Nelson Rodrigues: “Se me perguntassem qual a mais feia impostura da nossa época, eu daria a seguinte e fulminante resposta: é a cínica promoção que se faz do jovem. Não há mais, como no passado, o conflito das gerações. Até os velhinhos nostálgicos, espectrais, da porta da Colombo, adulam a juventude.”
Os velhinhos que passavam o chapeu na Rua da Praia foram substituídos por jovens estátuas vivas. Nas eleições de Grêmio e Inter assim, como na política partidária, sessentões grisalhos reivindicam o rótulo de renovadores com medo de cheirar a naftalina perante seus eleitores.
Adormecido para assuntos de futebol, o setentão Adalberto Preis foi reabilitado como vice de futebol e logo acusado de ser ultrapassado. Com Preis no timão, cessou a turbulência, o tititi, a fofoca, o Grêmio voltou a ser o Grêmio e está por comemorar hoje sua quinta Copa do Brasil, o primeiro título nacional importante depois de 15 anos. Preis calou inclusive o sempre falante WhatsApp.
O maestro do time atende pelo nome de Douglas, autêntico 10 dos velhos tempos, 34 anos. É o centenário Grêmio driblando o conflito das gerações e escrevendo mais um capítulo glorioso.