Hiltor Mombach

Obino e Piffero, história diferentes


Publicando novamente
Obino e Piffero, história diferentes







A coluna de hoje leva em conta o Brasileiro por pontos corridos, disputado a partir de 2003.
Trata das semelhanças e diferenças entre Flávio Obino e Vitorio Carlos Costi Piffero como presidentes de Grêmio e Inter respectivamente.
É imperioso que se diga na abertura que um, Obino, levou o Grêmio ao rebaixamento para a Série B do Brasileiro e outro, Piffero, ainda tem chances de livrar o Inter do vexame histórico, pois o time jamais jamais caiu.
Obino foi eleito presidente em 1969, com 33 anos,o mais jovem da história do clube. Os mandatos, na época, eram de um ano apenas. Reelegeu-se em 1970 e 1971. Sua ascensão ao cargo coincidiu com o começo da hegemonia do Internacional, que nesta década foi tricampeão brasileiro e octa gaúcho. Como presidente, Obino não conquistou nenhum título.
Na sua primeira passagem, Piffero comandou o Inter de 2007-2010, período de ouro do clube. Ganhou, entre outros títulos, uma Recopa, a Copa Sul-Americana, a Copa Suruga Bank e o bicampeonato da Libertadores da América. Mas perdeu para o Mazembe no Mundial Interclubes de 2010, tragédia que marcaria sua tragetória.
Obino retornou em 2003. Neste ano o Brasileiro contava com 24 times. O Grêmio não caiu por um pontinho. Mas seria rebaixado no ano seguinte como lanterna, tendo nove vitórias, 12 empates e 25 derrotas, aproveitamento de 28,3%. O Grêmio conhecia ali a sua segunda queda, pois havia caído em 1991 sob o comando do presidente Rafael Bandeira dos Santos.
Sobre a gestão Obino de 2003/2004 escrevi vários artigos. Num lembrei de três grandes crises do Grêmio: “A segunda crise começa no final da gestão José Alberto Machado Guerreiro, com o escândalo envolvendo a parceria com a ISL. Guerreiro deixou a presidência em 2002 e assumiu Flávio Obino.
Entre as heranças, Obino pegou uma folha mensal superior a R$ 2 milhões e alguns jogadores recebendo mais de R$ 200 dólares por mês. Sem grana e com o clube endividado, Obino reduziu a folha para cerca de R$ 500 mil. Obino ficou marcado como o presidente que levou o clube para a Segunda Divisão. Há um Obino perpetuado pelo demérito e saqueado em seu mérito. Obino dormirá para sempre chumbado ao epíteto ‘o presidente que rebaixou o Grêmio’. Essa verdade sepulta todo o restante de sua gestão e aqui o pecado maior: há quem transfira para outros merecimentos seus. A gestão Obino reveleu Cássio, Lucas, Carlos Eduardo, Léo, Felipe Mattione e Anderson. Muitos viraram produto tipo exportação. Que se dê a Obino o que é de Obino…”
Em 13 de dezembro de 2014 Piffero retornou para comandar o Inter com 71,7% dos votos dos sócios. O Beira-Rio já estava reformado. Os anos de chumbo vividos Giovanni Luigi Calvário, com um time nômade, sem estádio próprio para jogar, haviam terminado.
Mais: o Inter estava classificado para a Libertadores. A gestão Piffero se queixou da falta de dinheiro mas mandou desembarcar Léo, Nílton, Réver, Vitinho, Nicolás Freitas, Lisandro López e Anderson, este último com um contrato milionário.
No ano passado o Inter participou das semifinais da Libertadores. Foi quinto no Brasileiro. Numa midiática apresentação do balanço de 2015 o clube comemorou “um superávit final de R$ 27,5 milhões”.
Número alcançado graças a um empréstimo bancário de R$ 60 milhões e de uma redução de endividamento com a assinatura do Profut de R$ 63 milhões.