Hiltor Mombach

Olímpico e Arena

Meu caro Hiltor:
Tu bem sabes o quanto eu sou Juventude da cabeça aos pés, por dentro e por fora, sempre e unicamente JU. Portanto, quero me eximir de qualquer tipo de patrulhamento de terceira categoria. Acontece que eu não sei se o Grêmio fez a previsão de incluir entre os homenageados de seu novo estádio, justamente os responsáveis pela Inauguração do Olímpico em 1954. Acho, como desportista e cultor da história do futebol, que seria uma homenagem mais do que justa. Assim, se não houver nenhum tributo especial, pelo menos que os alto-falantes enunciem esses nomes (e outros que posso estar esquecendo)
Presidente: Saturnino Vanzelotti
Diretores de Futebol: Ary Delgado e o senhor Carvalho (me foge o primeiro nome, grande centroavante da década de 30, também do Vasco da Gama – “o homem das viradas”. Depois, presidente tricolor.
Treinador: o húngaro Lazlo Szekely
Time (aproximadamente, acredito): Sérgio Moacir Torres Nunes; Hugo, Ênio Rodrigues, Pipoca, talvez Airton Ferreira da Silva e Orly; Sarará, Milton Martins Kuelle; Tesourinha, Zunino, Vitor (Camacho), Delem e Torres.
Essa turma esteve em campo, com toda a certeza, revezando-se nas devidas substituições.
Vitor marcou os dois gols na vitória contra o Nacional, cujo goleiro era o preto Veludo, reserva de Carlos Castilho, na Copa do mesmo ano – 54 – jogada na Suíça.
Desses, a maioria já deve ter falecido.
Lembro que Delem consagrou-se no Vasco, porque não encontrava lugar no time de Foguinho, esteve na seleção brasileira e ganhou celebridade no River Plate, do qual também foi treinador. É ídolo imortal por lá. Falecido em Buenos Aires.
Zunino era uruguaio e dotado de um tiro fortíssimo.
Tesourinha, o maior craque gaúcho até aquela fase, em final de carreira, porém.
Milton Martins Kuelle uma revelação dos “juvenis”.
Ênio Rodrigues, que se tornaria o “Grande Capitão” da era Osvaldo Rolla, viera do Renner.
Sarará, um jovem, clássico, mas também raçudo centromédio, conquistando o título paulista, em 57, pelo São Paulo.
Vitor e Torres tinham sido contratados junto ao Flamengo de Caxias.
Nas primeiras rodadas do Campeonato Gaúcho de 55, Vitor quebrou a perna num jogo contra o Juventude, chocando-se com o zagueiro Jerônimo, pai de Djair e Cedenir.
Bom é por aí.
Chico Michielin com abraços