Hiltor Mombach

ORGULHO OU VERGONHA

ORGULHO OU VERGONHA

Quarta-feira, vinte e seis de Janeiro de 2011, quase dez da noite.
Montevideu, Estádio Centenário, 29° C - uma calícula poucas vezes sentidas nessa hora na capital uruguaia.
Lá estava eu mais uma vez para torcer pelo meu Grêmio.
Meu filho Tiago me acompanhando, ele pela primeira vez neste grande templo do futebol que em 1930 - primeira Copa do Mundo - consagrou a Celeste Olímpica.
Pobre Estádio corroído pelo tempo e pela falta de manutenção mas que, ao se adentrar, provoca um sentimento de admiração e respeito.
Neste mesmo palco estive pela primeira vez em Fevereiro de 1958 pela mão de meu pai torcendo e indo às lágrimas com nosso Grêmio empatando em 1 x 1 com a então poderosa seleção Uruguaia.
Talvez por isso este local tenha uma magia toda especial para mim...
Quando muito mais tarde, em 1983 fui testemunhar o primeiro Campeão do Mundo gaúcho em Tóquio, esse homem que me levou pela mão à inauguração do Estádio Olímpico, não estava mais comigo...
Ser gremista é valorizar tudo.
É ter orgulho da história de nosso Clube.
Do pioneirismo e a coragem daqueles que há mais de cem anos tinham a consciência de estarem acendendo uma chama imortal.
De nossos maiores ídolos - Lara, Ayrton Ferreira da Silva, Ortunho, Juarez, Everaldo Marques de Souza, Alcindo, Joãozinho, Milton, Gessy, Yura, André Catimba, De Leon, Renato, Tarciso, Mazzaropi, Danrlei, Ancheta, Jardel e paro por aí para não me estender - que souberam honrar o Manto Tricolor.
Ser gremista é ter postura de vencedor - cavalheirismo, respeito pelo adversário, postura de homens com dignidade.
Ser gremista é saber que para ser grande não devemos diminuir nosso oponente porque senão nossa vitória não terá valor.
Ser gremista é mostrar ao mundo que nossa grandeza provém dos bons exemplos que a história conta desde 1903.
Por isso, ontem naquele templo me senti envergonhado.
Lá estavam mais de cinco mil apaixonados torcedores para incentivar nosso time.
A maioria desses - e aí me incluo - sacrificaram duas noites de sono em um ônibus para lá estar.
E todos nós passamos pelo constrangimento de ver novamente uma ínfima minoria de arruaceiros vestindo a gloriosa jaqueta tricolor, dando uma demonstração de agressividade incontida, desnecessária que desonra nossa História.
Iniciaram uma selvageria contra os torcedores de nosso adversário que lá estavam para ver pela primeira vez seu modesto Liverpool enfrentar o Campeão do Mundo - nunca houve uma platéia tão grande para assistí-lo.
E o que mais impressionava, era de que a polícia local parecia estupefata, não acreditando que "inchas" do famoso Imortal lá estivessem, não para ver seus heróis em campo, mas para envergonhá-los.
Arrancavam os assentos desse já tão sacrificado Estádio pelo simples prazer de destruir, agredir...
A segurança de fato não estava preparada para tão deprimente demonstração.
Eram poucos policiais.
Durante vários minutos, enquanto transcorria a partida, esses criminosos travestidos de gremistas exercitavam suas "qualidades" avançando contra esses poucos e impotentes guardiões.
Felizmente, após cerca de quinze minutos desse triste espetáculo, chegou o tão esperado reforço que impôs a ordem detendo dois ou três lideres da corja.
O aplauso quase generalizado dos verdadeiros gremistas aos policiais que cumpriram com seu dever, foi o que atenuou um pouco o mau exemplo.
Me senti menor.
E tenho certeza de que esse tipo de comportamento em nada contribui com nossos atletas em campo - muito menos com a imagem do Grêmio.
Os jogos da Libertadores são transmitidos para o mundo todo.
Urge que o presidente Odone tome uma atitude definitiva contra esses maus elementos que ele sabe muito bem quem são.
Flavio Jacobus
Sócio Patrimonial Remido