Hiltor Mombach

Os anéis. Com os dedos.

Tenho calafrios quando cartolas e alguns políticos querem muito uma coisa. Vejo um Brasil que serve e outro que se serve. Uma Copa é uma tentação à capetagem em qualquer lugar do planeta e aqui cometo um trocadilho: uma Copa no Brasil é quase uma copa franqueada. Toma-se tudo, debitando-se na conta do povo. Afinal, Copa é futebol e futebol é o ópio do povo.
Perguntaram a Bernard Shaw o que ele achava da multidão: “Gosto ou desgosto de quem tem uma cara só”, respondeu. Sem querer querendo, Shaw apresentou o povo. A Fifa não conhece o povo. A Fifa não gosta ou desgosta de quem tem uma cara só. Povo, para a Fifa, é algo abstrato e, se tem cheiro, é de cifrão.
Vejam: o Estatuto do Idoso garante meia-entrada aos maiores de 60 anos. Aos invés de acarinhar os velhinhos do Brasil a Fifa afronta afirmando que quem define as regras é ela. Se a presidente Dilma cochilar, Blatter muda a Constituição e nos transforma em outro país, o país Fifa. Querem os anéis. Com os dedos.
Até aqui a presidente Dilma teve peito e carranca suficientes para manter Ricardo Teixeira e sua turma distantes. Temo que seja vencida pelos lobistas a serviço do saque. Insisto: quando os dirigentes de futebol e os alguns políticos querem muito uma coisa, tenho calafrios. Não sou contra a Copa. Sou a favor do Brasil.