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Os clubes de futebol e o governo vivem uma relação afrontosa quando se confronta a mesma relação do governo com o cidadão e as empresas. Os clubes devem, não negam, não pagam e, embora beneficiados com seguidos refinanciamentos das dívidas, continuam inadimplentes. Não vai muito, a presidente Dilma Rousseff vetou um dispositivo que permitiria aos clubes refinanciar suas dívidas com o governo federal em condições de pai para filho. As vantagens incluíam o parcelamento em até 240 vezes e descontos de até 70% em multas. Estima-se que as dívidas dos clubes cheguem a R$ 3,7 bilhões. O colunista Hélio Schwartsman escreveu um artigo para a Folha com o título “Que quebrem!” Reproduzo trecho e assino embaixo. “Se há um setor que já deu repetidas e rematadas provas de sua incapacidade gerencial, é o dos times de futebol. É improvável que a jura de fidelidade a meia dúzia de regras de bom senso administrativo altere a natureza do negócio. Acho que já é hora de tentar algo mais radical, que seria executar as dívidas e provocar a falência de quem for inviável. É verdade que, no plano imediato, haveria alguma confusão no meio de campo. O torcedor dos grandes clubes, porém, não corre muito risco de ver seu time do coração desaparecer. Estamos, afinal, falando de marcas com elevado valor de mercado, do que dá prova o volume financeiro movimentado com os direitos de transmissão dos principais campeonatos. No cenário mais verossímil, elas seriam vendidas para saldar as dívidas e, presume-se, passariam a ser administradas de forma mais profissional e lucrativa, como já ocorre em alguns lugares do mundo.” Enquanto devem, não negam e não pagam, os clubes continuam bancando salários que em alguns casos batem no R$ 1 milhão/mês. Pode? O blogueiro Emerson Gonçalves afirma que “infelizmente, parcelar as dívidas fiscais e tributárias é uma necessidade.” Porém, é favorável a outro tipo de penalidade: “O que deveria ter sido aprovado, não fosse a manobra esperta e rasteira de última hora, é o projeto do deputado Otávio Leite, a Lei de Responsabilidade Fiscal no Esporte, com as modificações que recebeu e mais algumas, eventualmente. Por essa lei, para disputar o Campeonato Brasileiro ou a Copa do Brasil, os clubes terão que estar em dia com suas obrigações fiscais e tributárias. Precisarão seguir regras de um fair play financeiro. Os que não cumprirem cairão de divisão. E, agora, a grande e suculenta cereja do bolo: se o clube não pagar seus compromissos fiscais e tributários, a justiça terá uma ferramente em mãos para buscar o ressarcimento com o patrimônio pessoal do presidente do clube e seus diretores estatutários.”