Escrevo hoje sobre desejos que não serão realizados no ano que está começando. Como se vê, sou um pessimista quando o assunto é futebol.
Gostaria de ganhar o Campeonato Brasileiro. Pode ser com Inter ou com o Grêmio. Não pingou nada na conta do Rio Grande do Sul na era dos pontos corridos. Pingou muito na conta de São Paulo e Rio de Janeiro e um pouco na de Minas Gerais. Por aqui, nadica de nada.
Há anos escrevo sobre os dois Brasis. Há um Brasil nababo, que se alimenta de ostras e filé mignon e ataca de Dom Pérignon e caviar e um Brasil que entra na fila do osso.
Flor de obsessivo, venho registrando meu espanto diante dos salários pagos aos jogadores. Fiz isto em duas colunas nesta semana. Neste país onde o assalariado vai ao açougue comprar osso, não há limite para a desavergonhada escalada salarial. Tudo com a cumplicidade do governo, que há décadas socorre os clubes pedalando as dívidas fiscais em intermináveis anos.
Um jogador ganhar R$ 500 mil, R$ 800 mil ou R$ 1,5 milhão por mês não desperta mais indignação.
Por trás deste escândalo salarial esconde-se outro ainda mais apavorante, crudelíssimo num país de pé-rapados: os nababos ficarão ainda mais nababos. Os salários do futebol descortinam um Brasil faz de conta. Lembrando que o salário mínimo passará para R$ 1.621,00.
São R$ 19.452 mil num ano, R$ 194 mil em 10 anos. Num ano um jogador ganha R$ 18 milhões ou mais.
Tal abismo é afrontoso. Como o senhor vê, são na verdade dois pedidos. O título do Brasileiro para o futebol gaúcho e um Brasil mais justo. Volto a dizer que já fiz esse pedido no ano passado. Flor de obsessivo, retomo o assunto.
Não acredite que os clubes são autossustentáveis. Mentira deslavada. Gastam muito mais do que podem e, quando estão por quebrar, são socorridos por programas governamentais ou vendidos sei lá para quem. Quase todos os clubes verde-amarelos são regidos por uma palavra: desmando.
Os dois Brasis, um vai de filé mignon, o outro entra na fila do osso
Escrevo hoje sobre desejos que não serão realizados no ano que está começando. Como se vê, sou um pessimista quando o assunto é futebol.
